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As raízes da misoginia no coração dos seres humanos

  • 8 de mar.
  • 5 min de leitura

por Magdala Monteiro


É de estarrecer os momentos atribulados que estamos vivendo em sociedade, quando a mulher se tornou uma vítima diária do feminicídio.

O Brasil registra um aumento significante quanto aos casos de feminicídio, já que em 2025 o registro é um recorde histórico, onde, em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia, afastando-as do convívio familiar, do exercício profissional etc.


O medo insiste em fazer companhia as mulheres, a atenção tem sido redobrada e nem as leis existentes e os constantes meios de combater os abusos de toda sorte os tem evitado, muito pelo contrário, parece mais uma epidemia.

Vivemos em sociedade onde as mulheres que carregaram no ventre um ser por longos meses, os alimentaram e deram muitas vezes suas horas mais preciosas nos cuidados não são mais respeitadas.


Nesse dia, as mulheres se organizam e saem às ruas para se manifestarem, através de diversos movimentos em defesa de suas vidas, fazendo a manutenção do que é constitutivamente um direito de todos os seres.


A escritora do livro: Mulheres que correm com os lobos, Clarisse Pinkola  pontuou o seguinte:

“Não se pode domar uma mulher que foi rasgada e se costurou sozinha. Uma mulher assim jamais voltará a caber em moldes impostos.”

A alma feminina é feita de coragem e memória ancestral. E a autora ao dizer assim quer nos explicar que a mulher é alguém que passa por inúmeras dificuldades, enfrenta todos os dias por mudanças tanto internas quanto externas e luta obstinadamente com suas mazelas para criar os homens do futuro.


Portanto, convoco a todos e todas que raciocinem a partir do pensamento de  uma grande mulher, pensadora contemporânea, Bell hooks que em sua obra “Tudo sobre o amor e novas perspectivas”, nos faz pensar sobre ter sido a mulher o grande alvo de opressões históricas, porque ela aprendeu a aceitar as expectativas que limitam sua liberdade emocional e social. O patriarcado moldou a identidade feminina para servir, agradar e cuidar dos outros, muitas vezes às custas da própria autonomia.

“A socialização das mulheres vem no sentido de acreditar que seu valor está em servir afetivamente aos outros, impedindo que elas desenvolvam um senso saudável de amor-próprio. Se a cultura ensina mulheres a praticar um amor que é mais servidão do que reciprocidade, como ser feliz, como se perceber como alguém que tem valor?
O patriarcado criou homens emocionalmente analfabetos e mulheres emocionalmente sobrecarregadas.
A desigualdade está mantida, porque as mulheres “sabem amar”, mas não são amadas na mesma medida. As mulheres estão privadas de receber o amor verdadeiro, pois seu papel social é apenas oferecer cuidado. E se sua expectativa for o amor romântico quanto realização máxima de vida, as mulheres são estimuladas a aceitar quaisquer comportamentos em nome do amor.

Tem que vir a resistência feminina que só através o amor-próprio que seu empoderamento se dá. A mulher precisa ser educada para perceber que não deve aceitar violência emocional, para reconhecer que merece reciprocidade, e redefinir o amor como algo que exige igualdade e ética.

Bell Hooks diz que quando as mulheres praticam amor-próprio, elas rompem com a lógica patriarcal que as domestica emocionalmente.


Eu não posso deixar passar a oportunidade de levar o pensamento espírita para essas reflexões, onde a conversa é sobre a misoginia, o feminicídio, o machismo, a desvalorização da mulher.


E, portanto, se faz urgente que os centros espíritas abram suas rodas de conversa para a informação desde os pequenos sobre o machismo estrutural, para que todos possam compreender sua tarefa aqui nesse mundo adverso, valorizando as criaturas que estão ao seu redor. É preciso compreender a que viemos, qual a nossa proposta de vida.  Não basta repetir os conceitos espíritas e colocar num patamar inalcançável porque somos imperfeitos, mas demonstrar como é viver, cada qual com suas habilidades seguir, se aperfeiçoando e combatendo o mal ao nosso redor.


Ilustrando o tema, no livro: No Invisível, capítulo 8, Léon Denis anotou sobre a trajetória histórica da mulher :

“A benéfica influência da mulher iniciada, que irradiava sobre o mundo antigo como uma doce claridade, foi destruída pela lenda bíblica da queda original. O mito de Eva reforçou nas coletividades que a mulher é perigosa, pois está sempre de parceria com o mal, e que as vozes que a dirige são demoníacas. Durante longos séculos a mulher foi relegada para segundo plano, menosprezada, excluída (...)
Por uma educação acanhada, pueril, supersticiosa, a subjugaram; suas mais belas aptidões foram comprimidas. A situação da mulher, na civilização, é difícil, não raro dolorosa. Nem sempre a mulher tem por si os usos e as leis; mil perigos a cercam; se ela fraqueja, se sucumbe, raramente se lhe estende mão amiga. A corrupção dos costumes fez da mulher a vítima do século. A miséria, as lágrimas, a prostituição, o suicídio – tal é a sorte de grande número de pobres criaturas em nossas sociedades opulentas. O Materialismo, não ponderando senão o nosso organismo físico, faz da mulher um ser inferior por sua fraqueza e a impele à sensualidade. Ao seu contacto, essa flor de poesia verga ao peso das influências degradantes, se deprime e envilece.”

Apesar de Denis mostrar que naquela época nem leis protegia a mulher, hoje as leis são presentes, há as instituições e recursos que prometem atenção e cuidado, mas a mulher segue sobrecarregada e violentada, pois na prática isso tudo não tem atendido a demanda delas e continua crescente o índice de feminicídios. Infelizmente em qualquer meio, no lar, no trabalho, na casa religiosa, na escola e nas ruas...


As mulheres têm que lutar, resistir, educar-se e educar os seus em todos os meios que esteja. Os eventos misóginos resistem em se apresentar, uma vez que a misoginia, conforme nos diz Contardo Calligaris, famoso psicanalista, se encontra enraizado nos corações dos seres humanos.


A falta de amor e o entendimento real do que seja amar ainda é muito grande, para que a sociedade não falhe com seu papel cuidador e fortalecedor da mulher, seja no meio social, quanto na educação dos que se formam nos lares.

Uma importante proposta faz Bell Hooks às mulheres, para que não abandonem o amor, mas reivindique-o em sua forma verdadeira, a fim de que a promoção da sua dignidade, autonomia e de seu crescimento, estejam garantidos.

Porque ela afirma que o amor autêntico é revolucionário para as mulheres, pois desafia diretamente as estruturas que as subordinam.


Entendamos o que diz Bell Hooks sobre o amor não ser apenas um ideal, mas uma prática nos lares que formarão criaturas, educadas longe do machismo, não mais socializadas quanto indignas de amor, aprendendo sobre seu próprio valor, sendo vistas e aceitas, ensinadas acerca do que é verdadeiramente amarmos uns aos outros. E assim todos poderão se comprometer consigo mesmo e com suas parcerias.    


Sigamos, portanto, de mãos dadas não só as mulheres, mas os homens também, reconhecendo os valores e que o papel da mulher, é onde ela quiser e que cada qual que saiba desempenhar o seu papel em sociedade, homens e mulheres.


Deixo uma sugestão: Leiam mulheres!!! Estude sobre suas vidas, se comprometam com a vida contemporânea e aproveite cada minuto do seu viver no crescimento de um mundo mais justo.

 
 
 

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