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  • Irradiações na reunião mediúnica

    Por Gabriel Lopes Garcia As comunicações dos Espíritos são a atividade principal da reunião mediúnica, mas não é a única que realizamos nestes encontros regulares. Uma outra prática bastante comum é aquela conhecida como irradiação. Trata-se de uma ação mental coletiva, realizada pelos encarnados em conjunto com os desencarnados, que atuam sobre os fluidos espirituais, usando pensamento e vontade, dotando-os de propriedades e qualidades de interesse no contexto, e os direcionam para as pessoas sujeitas da atenção do grupo. A irradiação viaja, por analogia, na forma de “ondas” de pensamentos, enviadas ao Espírito, “vivo” ou “morto”, onde quer que se encontre, pois a distância física não é obstáculo. O trabalho é essencialmente mental, conduzido por alguém que usa da palavra e vai direcionando o grupo para focar vontade e pensamento em determinadas pessoas, com propósitos específicos para cada um que é lembrado. Quem está à frente vai dizendo explicitamente esses objetivos e o contexto de cada criatura alvo da irradiação para favorecer a compreensão e, portanto, a participação ativa de todos. Um grupo que está coeso, como uma orquestra funcionando harmonicamente, melhora a qualidade e potencializa sua capacidade de ação fluídica. A irradiação beneficia também aqueles que dela se ocupam, pois: ajuda a desenvolver a solidariedade perante a dificuldade alheia; treina a concentração mental e o uso do pensamento focado; ensina o respeito na partilha das próprias questões e/ou a escutar a experiência dos outros; e exercita a elevação mental, colocando intimidade em mais elevado patamar de vibração. Da minha observação limitada, percebi que o mais habitual é de se fazer a irradiação depois das comunicações mediúnicas. Existem, por sua vez, reuniões criadas especificamente com esta finalidade de irradiar para as pessoas que deixam seus pedidos em caixas nos centros espíritas. O papel para mim é suporte de memória. Anotamos para lembrar das pessoas e dos pedidos e para registrar alguns detalhes. Pedaços de papel, caderninho etc., tanto faz. O que importa é o sentimento. Lembro-me com carinho das reuniões no centro familiar no quintal da casa de minha avó paterna: tinha um caderno de atas no qual se anotavam os nomes para irradiação, a começar por todos os parentes, encarnados e desencarnados. O ritual era repetido em toda sessão. Mais do que simplesmente anotar, era uma manifestação de carinho, uma retomada semanal que já valia por uma espécie de vibração inicial positiva. Sempre digo isso para as pessoas que me perguntam sobre esse tema. O fato de anotar o nome de alguém em um pedaço de papel já é valioso, pois é fruto de uma mobilização oracional sincera. Suicídios em foco Estudar a obra e a vida da médium Yvonne do Amaral Pereira tem me ensinado a desenvolver um profundo respeito pela questão do suicídio em uma perspectiva espírita humanista. Dela aprendi, dentre outras coisas, a lembrar-me sempre dos irmãos que retornaram ao mundo espiritual pela opção do autocídio. Acredito que é uma forma de contribuirmos com todos os envolvidos na delicada situação, ao mesmo tempo educando-nos para abandonar os julgamentos sumários, as leituras apressadas do ato e o moralismo rígido com os Espíritos suicidas. São as primeiras pessoas de quem me lembro ao conduzir uma irradiação, rogando à Deus, nossa Mãe generosa, que os acolha onde quer que se encontrem, e que recebam nosso carinho, nossas melhores vibrações muito positivas desejando a renovação da esperança em seus corações, na certeza de que terão as oportunidades para se reequilibrar e se repararem diante da própria consciência. Que sintam o amor divino incondicional que lhes favorecerá, em tempo propício, as chances de recomeço. Nesse mesmo contexto, irradiamos em favor das pessoas encarnadas que têm ideações autocidas bem como para aquelas que já fizeram uma ou mais tentativas de suicidar-se. Rogamos aos Espíritos trabalhadores do bem que encontrem caminhos de chegar ao coração delas e as auxiliar no sofrimento que lhes extingue o ânimo de viver. Pedimos que se abram ao auxílio espiritual que vem de tantas formas criativas e se permitam ser cuidadas nessa fase tão difícil. Finalmente, também pedimos em favor dos “órfãos” dos suicidas, aqueles que têm de lidar com a perda de alguém de modo tão abrupto. Que não alimentem culpas indevidas pelo que aconteceu, que recebam o conforto possível diante do quadro e que consigam ressignificar suas vidas e dar prosseguimento aos seus propósitos reencarnatórios, guardando a certeza do reencontro com os amados em um futuro apropriado. Vibramos em favor de pessoas e instituições que trabalham na prevenção e na posvenção do suicídio, pedindo que sempre encontrem as pessoas e os recursos necessários para cumprir sua tarefa. E rogamos a intervenção espiritual para frear o sadismo de infelizes, deste e do outro plano, que incentivam e ensinam as práticas de suicídio, por vingança pessoal ou perversidade sem destinatário específico. Abrindo o leque As vibrações podem ser destinadas a qualquer pessoa que esteja no “radar” do grupo, a começar por aquelas próximas aos integrantes, que façam pedidos de suporte espiritual. Às vezes são familiares em terras distantes passando por agruras; de outras vezes parentes com graves problemas de saúde; pode também ser um companheiro de atividade mediúnica, afastado, por transtorno mental ou desafios da vida familiar; alguém com um pedido específico de ajuda e por aí vai. Habitualmente nos lembramos de irradiar em favor das instituições de saúde (hospital, postinho, UPA etc.), pedindo tanto em favor dos adoentados, quanto pelos seus acompanhantes (quem cuida também precisa ser cuidado) e pelos trabalhadores desses locais. Para todos rogamos que recebam os fluidos, as presenças e os conselhos espirituais que lhes sejam os mais adequados, pois sabemos que a saúde do corpo e da mente são bens valiosos e ficamos amuados em sua ausência. Finalmente, podemos pedir também em nosso próprio favor e daqueles que amamos! Temos por hábito mentalizar cada cômodo da nossa casa, irradiando fluidos positivos, salutares, que gerem um ambiente de harmonia e de proteção espiritual, envolvendo todos que ali residem conosco. Frequentemente, no momento da irradiação, sentimos com mais intensidade a presença amorosa dos Espíritos amigos, que nos envolvem em sua atmosfera fluídica. Irradiar, portanto, é uma atividade que nos liga às necessidades dos outros e às nossas, produzindo efeitos calmantes, recuperação das perdas fluídicas, e facilitando a ação dos Bons Espíritos. Os fluidos espirituais assim trabalhados agem sobre o físico tanto quanto sobre o moral.

  • A leitura e o estudo como fonte de prazer

    por Magdala Monteiro “O estudo é a fonte de suaves e nobres prazeres; liberta-nos das preocupações vulgares e nos faz esquecer as tribulações da vida. (...) O livro é um amigo sincero, bem-vindo tanto nos dias felizes quanto nos dias ruins”. Assevera o nosso querido filósofo espírita, Léon Denis, em sua obra, Depois da Morte,  referindo-se a dedicação de uma leitura útil, que instrui, consola, anima, diverte e ainda propicia conhecimento. O prazer que se tem ao participar das ideias daquele que gravou através de seus escritos, os pensamentos que alimentava, é inenarrável. Além de ser também uma grande oportunidade de comunicação pelo pensamento que estabelecemos com o autor escolhido. Podemos identificar em cada autor lido, o valor de sua alma inscrita em cada linha de suas obras. Você já experimentou identificar a ideia de um autor? Denis indaga: “Não será uma das raras felicidades desse mundo comunicar-se pelo pensamento com os grandes espíritos de todos os séculos e de todos os países?” Ele acrescenta ainda que os grandes espíritos que já se comunicaram conosco através a variedade de literatura: (...) “Puseram no livro o melhor da sua inteligência e do seu coração. Conduzem-nos pela mão através dos dédalos da História; guiam-nos para as altas regiões da Ciência, da Arte, da Literatura. Ao contato dessas obras que constituem os mais preciosos bens da Humanidade, compulsando esses arquivos sagrados, sentimo-nos engrandecer, sentimo-nos orgulhosos... A irradiação de seu pensamento estende-se sobre nossas almas, reaquece-as, exalta-as. Saibamos escolher bons livros e habituemo-nos a viver no meio deles” (...)  Pausemos para um momento reflexivo: Será que andamos demasiadamente ocupados para escolhermos uma boa leitura e nos beneficiarmos dela, e ainda criarmos meios e recursos para divulgarmos o conhecimento adquirido? Para ilustrar o questionamento, destaco o que dizem os especialistas modernos sobre adquirir o hábito de ler e estudar: há a necessidade de se escolher um ambiente adequado para ler, estudar; buscar conhecer sobre o autor da leitura; fazer reflexões sobre o que lê e ainda ter um planejamento das leituras e dos estudos. São estratégias que nos oferecem para um bom aproveitamento. Ao fazermos uma rápida pesquisa no dicionário, vamos encontrar a palavra estudo como: o processo em que uma pessoa se dedica em buscar informação útil sobre determinado assunto ou disciplina. Parece-nos que seja assim que realinhamos nossas ideias e nos mantemos em uma linha de pensamento, percebendo e sentindo a vida que se realiza no contato com as melhores ideias, a fim de   descobrirmos que potenciais detemos, e à serviço de que estão, pois esse pensar não se destina a ficar  guardado, mas é para ser ativado, desenvolvido diariamente. Marilena Chaui, filósofa, nossa contemporânea, defende a importância do estudo, porque o vê como ato que favorece a emancipação das criaturas e a formação de cidadãos críticos, que ao se desenvolverem reproduzem o conhecimento, intervindo na sociedade. Estudar é um processo que promove a criatividade, é político em sua essência, pois indivíduos que aprendem que ações, em sua comunidade são melhores para todos, não se coloca como um mero objeto para atender ao mercado de trabalho. Se o objetivo é nos tornamos ativos e críticos, como Chauí diz, capazes de pensar no todo, pergunto: por onde andam as nossas preocupações quando se trata de obtenção de conhecimento? Que tipos de leituras ocupam as nossas mentes no cotidiano? Será um exagero ter tanta preocupação, quanto as escolhas com a leitura que devemos eleger? Acredito que o hábito do estudo propicia que nossos potenciais se expandam e então emitamos sentimentos que são dádivas aos que conosco compartilham os caminhos. E assim promovemos muitas oportunidades de iluminar mentes sedentas de conhecer, para também se autorrealizarem. A nossa divulgação pode ser tocha, que clareia estradas! O tempo presente é feito de dias difíceis, vive-se às voltas com lutas que parecem intermináveis, mas a leitura, o estudo, a dedicação de alguma hora do nosso dia   podem favorecer boas ideias e ações para o bem comum. Quando os males vão passar, não sabemos, mas o bem há de prevalecer. Quando nos informamos, iluminamos as nossas trilhas e contagiamos os outros. Os espíritos luminares que a história nos lembra, deixaram legados, muitas vezes com ideias que trouxeram a revolução de pensamentos, modificando o que antes estava estabelecido e que já não atendia mais aos ideais das criaturas. Porque ao dialogarem com novos conhecimentos, duvidaram, raciocinaram, refletiram e buscaram compreender que novos caminhos podiam seguir e sugerir. Não duvidemos do esforço envidado por aqueles que se debruçaram a escrever suas obras ricas de reflexões e nos brindar com o prazer de ler, estudar, pensar e apreender. O nosso entendimento cada vez maior da realidade da vida se faz através do exercício de meditar sobre as questões para agirmos com sabedoria. É através do estudo contínuo que mantemos as nossas mentes dirigidas, que escapamos do desequilíbrio mental, onde as inquietações, inseguranças e ilusões não encontram guarida. O coração que busca a boa leitura, o perquirir permanente, cria recursos internos para manter-se firme diante das circunstâncias, com a mente direcionada para o bem-estar próprio, social e espiritual, desvendando o porquê da vida . E você tem dedicado alguns minutos a leitura?

  • O Evangelho basta na reunião mediúnica?

    Por Gabriel Lopes Garcia Eu gosto muito de conversar com os Espíritos no contexto das atividades espíritas. É um hábito que me educa para certas nuances da vida espiritual, do processo psicológico que acompanha a morte e seus desdobramentos. Além disso, em muitas ocasiões, a depender das condições em que se apresentem os comunicantes, podemos oferecer-lhes algum auxílio: esclarecer sobre a passagem, acalmar as aflições, reerguer os ânimos, interceder em obsessões etc. Não sou adepto da ideia de que a reunião mediúnica tem como principal finalidade ajudar Espíritos “sofredores” (quem de nós não o é?). Considero essa posição piegas e arrogante. Nada obstante, na variedade dos contatos, surgem aqueles a quem prestamos apoio, dentro dos limites que a mediunidade coloca para tal empreendimento. É natural que busquemos os melhores recursos para utilizar nessas ocasiões em favor dos que nos chegam precisando de suporte. Em uma das entrevistas que conduzi ao vivo pela internet sobre o tema reunião mediúnica, uma pessoa escreveu posteriormente um comentário que motiva esse texto. Ela se expressou assim: “O Evangelho basta para ajudar e esclarecer os Espíritos em reunião mediúnica? Pois na reunião em que trabalho como médium, acho que outras fontes de conhecimento humano seriam importantes também para aclarar a consciência dos desencarnados. Já que atendemos uma diversidade de irmãos. Nenhum é igual ao outro.” Eu acho a questão muito pertinente e a argumentação dela também. Concordo com o início de resposta que ela mesma propôs. Na sequência apresentarei meu raciocínio, desenvolvendo minha posição sobre o assunto, que entrego para seu exame. Estou convencido de que é importante uma reflexão dessa pergunta, pois o caminho escolhido poderá revelar uma postura aberta à pluralidade de indivíduos, crenças, ideias e procedimentos, ou fechada em uma bolha dogmática e pretensiosa. Religião, cultura e psiquismo Em primeiro plano, uso aqui a palavra Evangelho no sentido simbólico, quero dizer, como o conjunto de ensinos morais atribuídos a Jesus de Nazaré e registrados por outras pessoas. Acompanho o entendimento de Kardec e penso que toda a mensagem evangélica tem a prática do amor e da humildade como núcleo central. Isso é uma orientação que podemos (acredito que devemos) usar no trato com os Espíritos. Falar com gentileza, acolher e validar sentimentos, ouvir mais do que falar, conversar em pé de igualdade, auxiliar sem a pretensão de resolver os problemas. No sentido de práticas das virtudes evangélicas, penso que o Evangelho basta, pois oferece orientação segura para agir respeitosamente perante os Espíritos. Mas estendo o argumento para o fator cultural. Nós fazemos parte de uma sociedade cristã, somos criados imersos nessa mundividência. Para muitos comunicantes é a referência à Bíblia, o oferecimento de um Pai Nosso ou a figura de Nossa Senhora que lhes dá alívio e confiança no diálogo mediúnico. Para estes desencarnados, as referências ao Evangelho são poderosos auxiliares, têm efeito psicológico positivo. Mas, considerando o comentário citado acima, é evidente que nem todo Espírito vive segundo o cânone cristão. Logo, para estes, é necessário fazer uma abordagem que use recursos do seu sistema de crença. Pensemos em alguém do Candomblé, ou da Umbanda, ou muçulmano, ateu e por aí vai. Para estes, o Evangelho não basta, nesse sentido do conteúdo em si. Frente à diversidade e singularidade humanas, convém adaptarmos as abordagens de acordo com cada criatura, respeitando-lhe as preferências. É importante que o trabalhador da reunião mediúnica amplie seu repertório e se interesse pelas outras expressões de fé. Cada Espírito merece um diálogo que atenda às suas necessidades afetivas e psíquicas. As outras tradições religiosas têm conceitos e práticas valiosos que podemos aprender e utilizar no intercâmbio mediúnico. Morto é gente como a gente Ademais, penso que, para além de considerar a diversidade religiosa, os conhecimentos de psicologia são muito úteis nos diálogos com os Espíritos. Digo assim de forma genérica pois a maioria de nós que trabalha na reunião mediúnica não somos psicólogos de formação profissional. Não defendo que devamos nos atrever a agir como se fôssemos, não é isso. Entendo que informações básicas sobre emoções, motivação e relacionamentos humanos ajudam a “calibrar” abordagens de acordo com o perfil do comunicante. Reunião mediúnica não é consultório de psicologia, embora tenha efeitos terapêuticos para os participantes de ambos os planos da vida. Nesse aspecto, observo que podemos aprimorar o que chamo de “tato psicológico”, uma maneira compassiva de receber e de conversar com os Espíritos. E conjugar a isso a assertividade, um modo franco, polido e natural de conversar com qualquer comunicante. Repare que esse conjunto de ferramentas informacionais e relacionais está além da mera citação ao Evangelho, que claramente não basta para todas as situações. Finalmente, defendo que, para auxiliar os Espíritos no contexto da reunião mediúnica espírita, é fundamental estudar o Espiritismo. São os conceitos doutrinários bem compreendidos que permitem compreender o que se passa com o Espírito. Estou me referindo a: perispírito, natureza fluídica do mundo espiritual, desligamento dos laços entre corpo e perispírito, sensações e percepções dos Espíritos, como acontece o processo mediúnico, obsessão, reencarnação, famílias espirituais etc. Os conhecimentos espíritas são muito importantes para entender a situação do Espírito comunicante, a dinâmica do mundo espiritual, os aspectos psicológicos da fase de adaptação pós morte, dos apegos ao mundo material e os sofrimentos decorrentes do estilo de morte. Tudo isso vai além de aplicar o Evangelho , são informações técnicas produzidas no contato mediúnico e pela teoria espírita. São ferramentas sem as quais o auxílio fica bastante restrito e precarizado, quando não inviabilizado pela ignorância e pelo medo. Em todo caso, penso que as abordagens devem ter ênfase no cuidado e no conhecimento. Conversar com humildade, usando linguajar e ideias acessíveis ao Espírito necessitado de nossa ajuda. Este auxílio é educativo, pois nos ensina que estender a mão é dever de fraternidade. Nessa tarefa, o Evangelho poderá ser suficiente no escopo de conduta moral dos tarefeiros, mas não o é para a variedade cultural dos comunicantes e nem possui as informações de natureza mediúnica e espiritual que são necessárias para compreender e intervir eficazmente no quadro apresentado.

  • Anemia moral

    Por Magdala Monteiro O valor do pensar e da capacidade que todo ser humano tem de criar, ampliar e fazer a manutenção das ideias, direcionando-as, é o que o encaminhará ao próprio crescimento, capacitando-o a fazer refletir ao redor a sua experiência. Afinal, é mesmo uma tarefa grandiosa e de muita responsabilidade para aquele que se detém na atividade de divulgar ideias, e ao mesmo tempo promover o conhecer nos outros, estimulando as mentes. “ O Pensamento é criador. Assim como o pensamento eterno projeta, ininterruptamente, no Espaço, os germens dos seres e dos mundos...  ” 1 A anotação acima é para ensaiar nossas primeiras meditações sobre um capítulo que trata do tema “O Pensamento”, em uma das obras do nosso querido Apóstolo do Espiritismo, Léon Denis.   Vive-se hoje, momentos de aceleração do pensamento, de atividades múltiplas, que geram o transtorno da ansiedade, e alguns desgastes mentais, ainda sem identificação muitos dos problemas nesse campo acarretam cuidados com a saúde mental de forma recorrente e absolutamente cada vez mais necessários. Talvez nunca se tenha dado tanta importância a manutenção da mente alerta e direcionada, como atualmente. Sendo assim, creio eu, que estudar sobre o pensamento, entender como se processa  a vida em nossas mentes e nas mentes de outros, é de capital importância. O mestre de Tours anotou: “ O que há de nobre e elevado, no domínio da inteligência, emana de uma causa eterna, viva e pensante. Quanto maior é a impulsão do pensamento em direção a esta causa, mais alto ele paira, mais radiosas são, também, as claridades entrevistas, mais inebriantes as alegrias sentidas, mais poderosas as forças adquiridas, mais geniais as inspirações.” 2 O espírito se eleva à medida que cuida do seu desenvolvimento, vivenciando e experimentando a vida, mas é no aprendizado que emerge de seu mais profundo ser e ao respeito da sua condição ora, de humanidade, que percebe suas potências, residentes no íntimo, para que venham a desabrochar. Inúmeros caminhos são percorridos pelas almas, muitas vezes densos, doloridos, que possibilitam as meditações sobre a vida dura e ações firmes surgem, envolvendo-as em uma atmosfera própria, e cria um crescer e um florescer possíveis. Acredito que haja uma grande reflexão a ser feita, nas entrelinhas do capítulo citado acima, cuja convocação nos é sugerida, para que: ergamos os olhos, agucemos os ouvidos aos rumores do mundo invisível e através de uma conversa conosco mesmo, elevada para esse tal mundo, identifiquemos o quanto de apoio recebemos, ao longo dos dias, pois que uma vez inspirados, criamos, sempre e mais, através o trabalho que desenvolvemos na vida, tendo nossa inteligência estimulada. A alma mergulhada na inspiração e amorosidade da fonte inesgotável de todo amor, torna-se mais bela e criativa, e constrói no cotidiano as relações que se revelam em seu íntimo. E nessa movimentação de ideias que surgem, ela toma conhecimento de si. Pode a filosofia espírita ensinar o ser, através o estímulo, ao uso da bondade, a ser solidária, mesmo cansada das horas duras da vida, aprender a usar de coragem moral, para conquistar virtudes . A virtude, tema recorrente desde as relações do mundo antigo, tanto quanto na hora presente, é tão procurada, mas não plenamente compreendida e alcançada pelas criaturas, mesmo por aquelas que se denominam “éticas”, que num esforço extremo buscam conquistar. “Em um sentido ético, a virtude é uma qualidade positiva do indivíduo que faz com que este aja de forma a fazer o *bem para si e para os outros. Platão considerava a virtude como inata, como uma qualidade que o indivíduo traz consigo e que, portanto, não pode ser ensinada. Contrariamente a Platão, Aristóteles considerava que a virtude podia ser adquirida, sendo na realidade resultado de um hábito. Oposto a vício. E na filosofia moderna, a palavra passou a designar a força da alma ou do caráter. Nesse sentido moral, designa uma disposição moral para o bem. Kant defendeu a virtude como a força de resolução que o homem revela na realização do seu dever. As virtudes designam formas particulares dessa disposição para o bem: a coragem. a justiça, a lealdade.”  3   Independente das inúmeras elucubrações dos filósofos que antecederam as ideias que a Filosofia Espírita   nos traz, vejamos o que diz Denis:   “Aprendei a abrir, a folhear e a ler o livro oculto em vós, o livro das metamorfoses do ser. Ele vos dirá o que fostes e o que sereis. Ensinar-vos-á o maior dos mistérios, a criação do eu , pelo esforço constante, pela ação soberana que, no pensamento silencioso, faz germinar a obra e, segundo vossas aptidões, vosso tipo de talento, far-vos-á pintar as mais belas telas, esculpir as formas mais ideais, compor as sinfonias mais harmoniosas, escrever as mais belas páginas, criar os mais belos poemas.” 4 A renovação da humanidade tão proclamada como se fosse uma salvação, algo doado, um milagre divino que se opere nas mentes, não é real. Inclusive no campo do espiritismo, infelizmente ainda vemos mentes envolvidas com a ideia de que recebem benesses, porque são  merecedoras por tudo suportar sem reclamar.  O ser humano precisa focar no mais interno de si, descobrir-se, verificar o seu potencial, e avançar rumo a sua própria consciência, construindo hoje, o que vislumbrará em seu futuro. Das sombras o ser vai se afastando, vai se desfazendo de preconceitos, de temores, e deslumbra harmonias outras, que vibram no universo, para encontrar novos caminhos. Ainda raciocinando com o conteúdo em estudo, identificamos que tudo o que temos ao nosso redor é para o bom proveito de todos. Tudo nos f ala e vibra, o visível e o invisível. Portanto vivamos, celebrando a vitória de estarmos no tempo presente pensando, criando, percebendo a natureza como a maior ensinante. Sejamos bons aprendentes, pois só quem sabe ver, ouvir, pensar e agir porque tudo observa, insere-se no processo de auto-observação e agrega no interior e no exterior, iluminando caminhos. É urgente que aprendamos a transpor os muros, a sair de determinado cercadinho que nos ofereceram, usando a habilidade de pensar e refletir e nos tornarmos conscientes de que não somos sábios, só porque temos em mente meia dúzia de perguntas, mas devemos exercitar as nossas mentes. Segundo o estudo do pensamento proposto pelo mestre de Tours, estamos distante das produções intelectuais de terna beleza por causa de nosso distanciamento das coisas divinas, que deveriam ser vistas pelos olhos da alma e porque deixamos de crer e amar. Sendo o único remédio contra a Anemia moral  nos voltarmos para as fontes celestes e eternas que nos animam o ser. Invistamos em nossos potenciais e que a persistência pela busca do saber, compreendendo o nosso papel de ensinantes/aprendentes nos qualifique em nossa proposta de vida para atingirmos as metas desejadas. Que o pensar contínuo , conquistado após longas caminhadas quanto seres imortais,  seja o nosso exercício constante. Foquemos nas maravilhas da vida que germinam em nós, a fim de que a anemia moral não nos adoeça.   Referências: [1,2,4] DENIS, Léon. O Problema do Ser e do Destino. Edição 1ª. RJ. Editora CELD, 2011, páginas 386, 387, 391. [3] JAPIASSU, Hilton e MARCONDES Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Edição 2ª. RJ Jorge Zahar Editor, 1993, página 243.

  • Pessoas que agregam

    Por Magdala Monteiro A conquista da evolução moral do espírito, se faz no trânsito em um corpo de carne, cujo aprendizado é através a convivência de forma humanitária. Allan kardec nos faz refletir, através a Lei de sociedade que não é simplesmente convivendo que o ser aprende a ser ético e caridoso, mas quando se compromete moralmente com seus pares, para que se faça a construção de uma coletividade socialmente unida. Este artigo é para se pensar sobre o papel das pessoas que sabem agregar umas às outras, consolando, amparando, mas principalmente promovendo justiça social.  “Nenhum homem possui faculdades completas; através da união social, eles se completam uns aos outros, para assegurar seu bem-estar e progredir: é por isso que, necessitando uns dos outros, foram feitos para viver em sociedade e, não, isolados.” (questão 768)   Aprofundando o estudo do Espiritismo, em sua base identifica-se que o homem não evolui isoladamente, mas ele pode compreender que a vida em sociedade é um poderoso recurso para a progressão tão desejada. Assim sendo, ao se relacionar os seres se tornam melhores porque a vida age educativamente oferecendo oportunidades de relações humanas mais construtivas, seja no enfrentamento das lutas diárias, que promovem a conquista de virtudes como na ampliação da compreensão do que seja viver verdadeiramente o amor ao próximo. Pessoas que sabem agregar, são aquelas que percebem como aprofundar essas relações , apesar dos desafios, dos conflitos e dos ressentimentos, motivando-se com o compromisso de crescimento moral de que estão imbuídas para um viver diário mais solidário e fraterno. A renovação do espírito será garantida pela maturidade moral, difícil, mas não impossível de ser conquistada, partindo dos limites úteis às relações para não prejudicar o projeto de educação do ser. À propósito, se faz necessário promover um diálogo entre a filosofia espírita e a filosofia contemporânea. Diz a visão da ética do encontro, do pensador Emmanuel Lévinas que é filosofia centrada na face do outro, que nos chama à responsabilidade antes de qualquer escolha consciente. É um não a autossuficiência do Eu. Isso contribui para reforçar a dimensão ética do encontro humano, já que o outro pede acolhimento e vamos nos dedicar a atendê-lo. Em o espiritismo, essa ideia se converge para a questão não apenas material, mas também espiritual, quando nos responsabilizamos por certos seres que se ligam a nós. Sendo uma ética da alteridade, onde o outro chega primeiro do que nós mesmos, investimos no cuidado, desenvolvendo a caridade nas relações humanitárias. E esse encontro primordial convoca à responsabilidade sem reciprocidade, defendendo o vulnerável e instaurando a justiça.  Léon Denis reforça essa compreensão ao associar o progresso espiritual ao serviço desinteressado. Para ele, o espírito se eleva à medida que aprende a sair de si mesmo. Agregar, nesse sentido, é um exercício de descentralização do ego, no qual o bem do outro passa a ocupar lugar legítimo nas escolhas cotidianas. Esse fluxo natural da vida, usando a vontade, a maior potência da alma, exercitando a fraternidade, e a busca do sentido íntimo, como cita Denis através a fala de Victor Hugo, escrita no Post scriptum de ma vie :   “É dentro de nós que devemos olhar o exterior... Inclinando-nos sobre esse poço, o nosso espírito, avistamos, a uma distância de abismo, em estreito círculo, o mundo imenso.” (Cap. A Consciência. O sentido íntimo) É na convivência entre os seres humanos, que surgem os potenciais latentes, e explorá-los  sem pretextos e sem máscaras é o que importa para o desenvolvimento dos seres integrais, dedicados ao distanciamento das ações mesquinhas, grosseiras, pueris e banais. Platão, no livro A República, ao pontuar a questão, acentua que formamos o caráter, educando as pré-disposições com as quais nascemos, umas nos são mais agradáveis que outras, então a reeducação das menos agradáveis seria o recomendável para alcançar uma vida ética . O desafio do ser é manter a capacidade de encontrar em admirar mais em si mesmo o que lhe caracteriza quanto um ser humano: empático, gentil, atencioso, flexível. Seguindo esse raciocínio, o ser humano se aproxima da autorrealização, certo de seu dever consigo mesmo e garantir certa tranquilidade, conscientizando-se diante das  questões da vida. Célebre frase atribuída a Cícero, orador, político e filósofo romano, nascido na Itália em 106 a.C, nos demonstra a importância de se estar humano:   “Certifica-te que és fator de soma para as pessoas de cujas vidas participas” Isto significava para ele o não ter vivido em vão e a sua autorrealização garantida na alegria de viver, e na noção do seu dever a cumprir quanto homem público (deveres esses entendidos por ele como: ser caridoso, verdadeiro e honesto). Ao promover em si, contagiava as pessoas para serem fator de soma em suas próprias vidas. Para refletir um tanto mais no tema, verificamos a necessidade de sentir o contágio de tais ideias para que estejamos aptos a esperançar as criaturas, encorajá-las, e mantermos o ânimo a fim de que percebam os próprios potenciais. Importante memorizar sobre a importância de usar nossa capacidade de infundir nas criaturas que convivem conosco o amor latente, para que intuam o amor que há nelas, disponibilizando-se então a voos esplendidos. O desejo de ser feliz é para todos, sem exceção, e essa busca está nos caminhos trilhados  e construídos em conjunto, na autodescoberta de si para o aprendizado da solidariedade, da fraternidade, que abrem as portas largas da alegria de viver, de estar humano, de manter a serenidade, ao renunciar aos pensamentos mesquinhos, das ações torpes que usurpam a vontade de melhorar, e de criar recursos que favorecem o entorno. Viktor Frankl afirma que o sentido da vida pode emergir da responsabilidade assumida diante do sofrimento alheio. Essa ideia dialoga com a proposta espírita da resignação, mas ativa, que não estimula a passividade, mas o enfrentamento consciente das dificuldades. Agregar, nesse sentido, é consolar sem estimular a fuga, orientar sem ferir o livre-arbítrio, apoiar sem anular a experiência do outro,  promover o autodescobrimento de cada qual e capacitar o outro com os melhores recursos. O universo nos favorece todo o tempo, a natureza é nossa parceira, as tarefas do cotidiano é o maior ensinante que temos, e é partindo de tais observações que aprendemos mais, porque tudo ao nosso redor tem um teor pedagógico. Viver, trocando as lentes embaçadas para facilitar a melhor visão do entorno, alinhavando ideias, costurando novas emoções, e buscando a vestimenta ideal que será mais confortável para o caminho de evolução de todos os seres. É assim que o avanço chega, pois a consciência é de que o amparo é recíproco. Manter o desejo de crescer no agora, olhando cada detalhe, sem as paixões vis, mas com a paixão pelos objetos de estudo e de pesquisa que formatam a renovação social e as nossas referências modificadas. Saber o que realmente importa, assimilando o bem e o desejo de servir, doando o melhor que há em nós.   Referências: DENIS, Léon. O Problema do ser e do destino. 1.ed. Rio de Janeiro: CELD, 2011. FRANKL, Viktor. Em busca de sentido . Petrópolis: Vozes, 2008. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos . 1 a  ed. Rio de Janeiro: CELD, 2008 LÉVINAS, Emmanuel. Totalidade e infinito . Lisboa: Edições 70, 1980. PLATÃO. A República. 9. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001

  • As 6 categorias para examinar a carta psicografada

    Gabriel Lopes Garcia Uma das tarefas da pesquisa espírita é examinar o conteúdo produzido via mediúnica. No trabalho de elaboração do Espiritismo, Kardec criou e usou alguns critérios de avaliação das comunicações obtidas. Ele expôs os seus métodos, por exemplo: em O Livro dos Médiuns  de modo difuso ao longo da obra; e no item II da introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo . Dentro desse campo, a análise da identidade do Espírito comunicante no caso das cartas psicografadas é relevante, pois trata-se de decidir pela presença da pessoa específica que foi chamada. As nuances do intercâmbio mediúnico requisitam o aprimoramento das metodologias para a escrita e o exame dos ditados atribuídos aos falecidos. O “padrão ouro” nesse tipo de pesquisa é encontrar informações que só o Espírito e os familiares sabiam ou descobrir coisas (eventos, objetos guardados, parentes distantes etc) reveladas no texto. A semelhança de escrita e assinatura podem ser evidências, inclusive submetidas a análise de um perito em grafoscopia. Mas é um critério insuficiente pois o estilo pode ser copiado por um Espírito falsário, além das diferenças de grafia devido ao médium. É preciso analisar a linguagem, o pensamento dos Espíritos, bem como as circunstâncias da produção mediúnica. Kardec tinha tempo e recursos limitados para o empreendimento, então ele fez o que era possível em sua época. Atualmente as pesquisas científicas têm novos métodos para examinar elaboração e conteúdo das cartas psicografadas, embora mantendo o mesmo “padrão ouro” citado acima. Vamos dar um breve panorama dessa área promissora, que leva a pesquisa espírita a um patamar mais rigoroso e sistematizado. Informações prévias limitadas e ambiente controlado Embora possamos manter a prática mediúnica espontânea em nossas reuniões regulares, no caso das pesquisas sobre cartas psicografadas é preciso fazer algumas adaptações. Isso nem sempre é uma situação confortável para o médium, mas é importante para o rigor metodológico. Os mecanismos de controle são importantes, pois a internet dá acesso a informações de todos os tipos sobre as pessoas, mesmo que elas não saibam ou não as tenham compartilhado. Devido a isso, e ao método científico, nas pesquisas recentes algumas prevenções são tomadas. Antes da redação da carta, o procedimento incluiu uma breve entrevista de poucos segundos entre o/a médium e os solicitantes de mensagem da pessoa falecida, a quem a autoria da carta pode ser atribuída. Os requerentes também preenchem uma ficha com dados básicos do(a) finado(a), como nome, idade, causa e data da morte. A sessão mediúnica é filmada, e o/a médium escreve a carta sem interação com os solicitantes durante o transe. É uma estratégia para limitar o acesso do(a) médium a muitas informações sobre o Espírito e os encarnados que lhe pedem a mensagem. Esse é um problema que acontece em muitos ambientes espíritas que transformaram a psicografia em palco para celebridades, com muita mídia e nenhum rigor doutrinário-metodológico. Com o registro audiovisual é possível aumentar o controle da atividade mediúnica, eliminando outros fatores de dúvida, como consultas na internet ou o recebimento de informações por auxiliares. Psicografando às claras também se elimina qualquer desconfiança de pegar material preparado por terceiros. Exame conjunto e categorizado No caso de haver de fato psicografia de carta(s), estas são avaliadas pelos pesquisadores em entrevistas com os solicitantes, na ausência do(a) médium. O conteúdo do texto é destrinchado e cada afirmação é classificada em seis categorias. Isso é importante para refinar a análise, pois as instruções de Kardec eram mais genéricas. Seguem as categorias propostas mais comuns das pesquisas científicas. 1ª) Informação não avaliável : são as saudações ou expressões vagas. Em alguns casos, no entanto, o modo de saudar característico de uma pessoa pode ser evidência de identidade. 2ª) Não reconhecida : são os dados incorretos ou implausíveis. É importante marcar esse tópico para refutar em parte ou totalmente a identidade atribuída na carta psicografada. 3ª) Genérica : são conteúdos amplos que poderiam valer para muitas pessoas. Os picaretas da área usam este recurso com bastante frequência para pegar os incautos e os crédulos. 4ª) Divulgada : são as informações previamente informadas ao médium. Por isso o contato mínimo e o veto à internet. Esse problema se alastrou nas sessões de médiuns celebridades. 5ª) Dedutível : são as inferências possíveis a partir de dados já fornecidos. O médium pode fazer as conclusões de modo voluntário ou até mesmo inconscientemente. 6ª) Específica : são os detalhes reconhecidos pelos pais e improváveis de terem sido obtidos por meios convencionais. Este é o “padrão ouro” que estamos insistindo desde o inicio. As afirmações consideradas específicas descrevem hábitos e características pessoais do falecido que, segundo os solicitantes, não poderiam ser deduzidos ou conhecidos pelo médium. Nesse aspecto, embora tenha havido um avanço da pesquisa pioneira de Kardec, ainda assim a própria definição do que se considera específico pode ser subjetiva. Não negamos a subjetividade do cientista na escolha teórica e na execução metodológica, mas é importante ajustar os parâmetros porque senão a estrutura de análise pode ficar pouco compatível com o rigor exigido em um trabalho científico. Uma sugestão é dirigir perguntas objetivas, como “qual é o nome dos seus tios?” ou “qual é o nome do seu melhor amigo?”, com respostas previamente registradas. É um método adicional para avaliar a precisão das informações contidas na carta.

  • Lamennais

    por Rodrigo Farias Nascido numa família aristocrática em 1782, Felicité de La Mennais, muito influenciado pelo seu irmão Jean-Marie, buscou desde cedo a vida religiosa. Em 1809, os dois irmãos escreveram um livro a quatro mãos, Reflexões sobre o estado da Igreja na France durante o século 18 e sobre sua situação atual . Nele, Félicité, que era o principal redator, já mostrava um talento com as palavras que o marcaria pelo resto da vida. Já nesse primeiro livro, Felicité, argumentava pela independência da Igreja em relação às interferências do Estado. Quem nos acompanha desde o primeiro episódio vai reconhecer essa plataforma na França da época: é a do ultramontanos, que tomavam o partido do poder do papa, em contraposição aos galicanistas, que admitiam o direito do rei de influenciar em vários dos assuntos do clero, inclusive nomeando bispos. Para os irmãos La Mennais, esse era o caminho para curar as feridas que a Revolução Francesa deixara no país. Porém, eles também faziam uma proposta arrojada: o apoio ao regionalismo político, isto é, a revitalização de instituições locais, descentralizada, como meios de ajudar na difusão da mensagem cristã no país e se contrapor aos oponentes não católicos da Igreja. Tudo isso desagradou à polícia de Napoleão, que censurou a obra. Félicité não se deixou intimidar: cinco anos depois, lançou outro ataque ao Galicanismo, agora escrevendo sozinho. Deu sorte: quando o livro foi impresso, Napoleão tinha acabado de ser derrotado e mandado para o exílio. Começava a época da Restauração, e o trono foi para Luís XVIII, irmão de Luís XVI.             Para os ultramontanos, era a glória! Um rei católico voltava a governar a França. Félicité louvou o novo monarca e começou a se dedicar à obra que o tornaria famoso: o Ensaio sobre a indiferença em matéria de religião , em quatro volumes escritos ao longo de anos. Desde o começo, o Ensaio  foi um sucesso absoluto, vendendo 40 mil exemplares em algumas semanas, um feito e tanto na época (aliás, até hoje). Félicité, agora sim conhecido como La Mennais, tornou-se uma estrela ascendente entre o clero francês. E por quê? Bem, primeiro pelas ideias: no livro, ele diz que a indiferença em questões religiosas não era uma atitude neutra, mas, pelo contrário, uma forma de ateísmo que fazia mal à sociedade . Não bastava dizer que a religião era útil porque ajudava a manter a ordem pública, como muitos pensavam, até ateus; a religião (leia-se: o Catolicismo) era uma revelação de Deus . E o argumento que ele apresentava era o do “senso comum”: a verdadeira religião seria aquela que apresentava o maior número de testemunhos a seu favor, não só no presente, mas ao longo da história. Isso significava, claro, o Catolicismo. E, para provar sua tese, La Mennais pesquisou várias outras religiões, inclusive as orientais, a fim de demonstrar, por A + B, a superioridade histórica do cristianismo católico.             La Mennais não era apenas brilhante, mas também era dotado de uma retórica muito afiada. Essas qualidades lhe renderam um círculo de discípulos, os “mennaisianos”, importantes na revitalização do Catolicismo francês. Quando foi recebido no Vaticano, em 1824, La Mennais já era um dos maiores nomes do clero do país e um ídolo para os padres mais jovens — o campeão dos ultramontanistas.             Mas a insistência da Coroa francesa no Galicanismo continuava, para desgosto de La Mennais e seus companheiros. Portanto, quando a Revolução de Julho de 1830 implantou a monarquia liberal de Luís Filipe de Orléans, La Mennais apoiou os revolucionários. Chegara à conclusão de que os conceitos do liberalismo podiam ser usados a favor da Igreja. Para defender essa causa, em 1831, ele e alguns dos seus seguidores mais próximos, como o talentoso Pe. Henri de Lacordaire, lançaram um jornal próprio, o L’Avenir (“O Futuro”). Nele, defendiam sem meias-palavras a separação entre Igreja e Estado, bem como outras propostas liberais, como a liberdade de consciência, de imprensa e de expressão. Acreditavam estar defendendo o melhor do Catolicismo e tornando-o palatável aos novos tempos — o que foi chamado de Catolicismo liberal .             Só havia um problema: a Igreja como um todo não era  liberal, muito pelo contrário. O papa da época, Gregório XVI, era um grande conservador e entendia que era do interesse da Igreja ajudar a “manter a ordem” na Europa e no mundo. Depois dos desastres da Revolução Francesa e de Napoleão, a prioridade católica era manter o máximo possível de seu poder e influência, tanto no campo espiritual quanto no político. Em outras palavras, nada de defender liberdades  — uma ideia perigosa — nem de renunciar ao apoio do Estado. Por séculos, a fórmula trono e altar  tinha funcionado muito bem para a Igreja, e o papado de Gregório XVI queria continuar com ela.             Quando o L’Avenir  foi atacado por clérigos conservadores, La Mennais resolveu suspender a publicação do jornal e submeter seus princípios à apreciação de Roma. Achava que o endosso do papa calaria a boca dos inimigos e faria da Igreja uma aliada do progresso político e social. Sua confiança era tanta que ignorou conselhos em contrário e foi pessoalmente a Roma pressionar por uma resposta rápida. Depois de um “chá de cadeira” de meses e de ter sido gentilmente mandado de volta para casa, a resposta oficial veio em agosto de 1832, na encíclica Mirari Vos .   Sem citar o nome de La Mennais, o papa condenou o pluralismo religioso e muito do que L’Avenir  defendia. Nosso herói ficou em choque.        Em respeito ao papa, La Mennais manteve o jornal fechado. Porém, em particular, não escondeu seu desagrado. O temperamento combativo, tanto quanto o intelecto, era um traço forte de Lamennais. Pediram-lhe que fizesse declarações de submissão incondicional ao papa e renunciasse explicitamente às ideias de L’Avenir. Recusou-se. A atitude fez com que perdesse quase todos os amigos católicos, inclusive o irmão. A ironia era óbvia: depois de anos lutando pela autoridade da Igreja, quando ela se voltou contra ele e suas ideias, Lamennais não quis aceitar. Em resposta, renunciou aos seus votos religiosos em 1833 e, em 1834, implodiu de vez sua relação com a Igreja ao lançar o livro Palavras de um homem de fé . Nessa obra, em linguagem poética e apocalíptica, La Mennais denuncia a exploração das massas por líderes políticos e religiosos (incluindo o papa). A resposta veio rápida: em 1835, o livro foi denunciado explicitamente em uma nova encíclica, Singulari Nos. Nela, o papa diz que o livro "Corrompe as pessoas por um perverso abuso da palavra de Deus, para dissolver os vínculos de toda ordem pública e enfraquecer toda autoridade [...] desperta, promove e fortalece sedições, tumultos e rebeliões nos impérios [e]  contém proposições falsas, caluniosas e precipitadas que levam à anarquia; que são contrárias à palavra de Deus; que são ímpias, escandalosas e errôneas; e que a Igreja já condenou."             Daí para frente, Lamennais nunca mais se disse católico. Mudou a grafia do seu sobrenome aristocrático, de la Mennais, para Lamennais (tudo junto), encobrindo sua raiz nobre. Mudou seu entusiasmo pela Igreja para a devoção ao povo como fonte de sabedoria e autoridade. Passou a falar de temas políticos e sociais, sempre do lado da oposição ao status quo  e defendendo um republicanismo tingido de socialismo cristão. Escreveu sobre os trabalhadores, a democracia, a escravidão e outras questões que fervilhavam nos debates da época. Em 1841, teve um livro censurado e chegou a ser preso por um ano, tempo que aproveitou para compor outro livro, Uma voz da prisão  (sem tradução em português). Nessa mesma década de 1840, voltou a escrever sobre temas religiosos. Elaborou uma filosofia deísta expressa em seu livro Esboço de uma filosofia.  Nela, apresentava um quadro do universo em que os planetas eram seres vivos, e todos os seres se interligavam como partes de um grande organismo, e tudo evoluía de forma racional e linear regido por um Deus imanente e essencialmente bom. As catástrofes que aconteciam eram pontuais, sem impacto duradouro. O mal era apenas uma ausência do bem, e crenças cristãs como o pecado original, as penas eternas e a divindade de Cristo não tinham lugar. Também publicou uma edição comentada dos Evangelhos e uma narrativa mítico-poética, Amschaspands et Darvands, inspirada por suas leituras sobre o Oriente. Nela, uma raça de extraterrestres semidivinos visita a Terra, observa a humanidade e deixa um relato de suas impressões no Oriente. Ali, concluem que a raça humana vive em estado de sujeição e sugerem a democracia como solução.  Por fim, quando veio a Revolução de 1848, que derrubou a monarquia e instituiu uma república democrática – com o sufrágio universal masculino – Lamennais elegeu-se deputado e escreveu uma proposta de Constituição, rejeitada pelo parlamento por ser tida como radical demais. Quando o presidente Luís Napoleão deu um golpe de estado em 1851 e instituiu uma ditadura, sob o nome de Napoleão III, Lamennais retirou-se da vida política. Isolado politicamente, dedicou-se apenas a seus estudos e fez uma tradução da Divina Comédia , de Dante Alighieri. Faleceu em 1854 e foi sepultado sem qualquer rito, por conta de seu conflito com a Igreja. Mas a sua carreira ainda não estava no fim. Poucos anos depois, Lamennais ressurge como um nome recorrente entre os colaboradores desencarnados de Allan Kardec. Nos seus textos, assuntos como a questão da caridade para com criminosos, a escravidão e o estado de certos espíritos culpados no mundo espiritual são tratados com verve e clareza. A luta por um mundo mais justo continuava, mesmo além do túmulo.

  • O Catolicismo na França de Kardec - Parte 2

    Rodrigo Farias - 2a parte - Fevereiro 2024 No artigo anterior, falamos de alguns dos desafios que a Igreja Católica Romana enfrentou entre fins do século XVIII e meados do XIX. Hoje trataremos de como ela reagiu a isso e, no dizer do historiador Ambrogio Caiani, “perdeu um reino para ganhar o mundo”. A expressão já antecipa o fim dessa história. Os Estados Papais, que a Igreja se esforçou tanto para preservar nas primeiras décadas do século, foram engolidos durante o processo de unificação da Itália, em 1861. Dividida durante séculos em vários reinos, ducados e cidades-estado, foi só depois de muita articulação política e conflitos militares que a Península Italiana se tornou um só país. A Igreja Católica fez o que pôde para proteger seus territórios disso, inclusive mobilizando tropas papais e voluntários vindos de todo o mundo. Mas foi inútil. E para tornar a derrota ainda mais amarga, o novo Estado italiano escolheu ter sua capital justamente em Roma, a sede da Santa Sé, até então governada pelo Papa.  Era o fim de uma era. O governo direto da Igreja sobre largos territórios deixava oficialmente de existir. Isso não queria dizer que ela perdera toda a sua influência. Na Irlanda, por exemplo, um clero conservador dominava a vida cultural do país; na América Latina, o status da Igreja e de suas propriedades ainda era um grande pivô nas disputas e guerras civis entre liberais e conservadores. Mas ainda assim, o Catolicismo sofrera um baque: o moderno Estado liberal havia lhe imposto uma derrota no coração de seus domínios. Mas essa perda de poder temporal viria a ser contrabalançada por uma revitalização do poder espiritual . Se não era mais possível mais ter um reino literal sob seu comando, o poder eclesiástico sobre milhões de corações e mentes em todo o mundo ainda era uma realidade. E alguns eventos sobrenaturais vieram reforçar essa influência. Por exemplo, o que aconteceu em 1846, na cidadezinha de La Salette, nos Alpes franceses. Dois adolescentes, Maximin Giraud e Mélanie Calvat, cuidavam de algumas vacas quando se depararam com uma misteriosa dama, alta e luminosa, que chorava copiosamente sentada sobre uma pedra. “Não tenham medo”, ela lhes disse, dando-lhes algumas boas notícias. Embora o seu filho estivesse zangado com o mundo, por este ter se afastado de Deus, ainda havia tempo para o arrependimento e a conversão. Também deu conselhos sobre a plantação de batatas, que vinha sofrendo com pragas desde anos anteriores. E, por fim, recomendou que o povo orasse mais, recitando o Pai-Nosso e a Ave Maria, e confiou alguns segredos aos dois jovenzinhos. Depois disso, a depender da versão dada por Maximin e Mélanie, a Senhora subiu até as nuvens ou desapareceu por trás da montanha próxima. A história logo chegou ao padre local e, mais tarde, aos bispos, que autenticaram a história. Logo La Salette se tornou ponto de peregrinação de devotos, que creem que a “Senhora” era ninguém menos que a Virgem Maria. Em 1858, fenômeno parecido se deu em Lourdes, também na França, e se tornou ainda mais famoso. Novamente uma jovem, Bernadette Subirous, de 14 anos, se deparou com uma mulher misteriosa numa gruta enquanto buscava lenha. Logo ela percebeu que sua irmã e a amiga que a acompanhavam não conseguiam vê-la. Voltando outras vezes, Bernadette chegou a fazer um “teste”, jogando água benta na aparição e rezando o rosário, e se convenceu de que ela não era de origem demoníaca. A partir do terceiro encontro, de um total de 18, a mulher começou a falar com Bernadette, pedindo-lhe que voltasse outras vezes. A história desses encontros se espalhou, e mais uma vez coisas fantásticas começaram a acontecer. Como em La Salette, uma fonte de água brotou no local, e peregrinos começaram a frequentá-la. Não tardou para que relatos de curas milagrosas começassem a circular, aumentando ainda mais a visibilidade de Lourdes. Clérigos e até policiais interrogaram a jovem Bernadette, que passou a visitar a gruta sob o olhar de uma multidão de curiosos e devotos. As aparições se estenderam de fevereiro a julho de 1858, e ao fim a França tinha o que viria a ser um dos mais famosos centros de peregrinação cristã do mundo. A partir daí, todos os anos, dezenas e dezenas de curas eram atribuídas à fonte miraculosa e à intercessão da Virgem. Um detalhe na história de Lourdes chama atenção. Quando Bernadette perguntou à senhora quem ela era, a resposta foi: “Sou a Imaculada Conceição”. Esse era o termo usado para o mais novo dogma católico, proclamado pelo Papa Pio IX em 1854. Segundo ele, Maria de Nazaré não fora uma mortal qualquer: além de perpetuamente virgem, intocada pelo desejo sexual, ela fora concebida sem a mancha do pecado original que, na doutrina católica, assola o resto da humanidade. Por consequência, Maria não era apenas mais uma santa, mas um ser excepcional desde antes mesmo de receber Jesus em seu ventre. Dessa forma, a devoção a Maria, que existia há séculos, ganhava uma clareza teológica que jamais tivera. Se antes um S. Tomás de Aquino, por exemplo, podia rejeitar a Imaculada Conceição como uma hipótese não convincente, agora, por decreto papal, quem duvidasse dessa condição singular de Maria seria automaticamente excomungado. Afinal, dogma não se discute. Mas Pio IX não parou por aí. O mais importante papa do século XIX deu ainda outro passo para reafirmar o poder espiritual da Igreja, e do seu cargo de papa. Era preciso, em sua visão, combater os erros que tornavam a sociedade moderna, com suas ideias liberais vindas do Iluminismo, uma inimiga da única fé legítima. Primeiro, em 1864, ele publicou o Sílabo dos Erros , nos quais enumerava dezenas de ideias e práticas que a Igreja condenava — em particular, várias das liberdades que mencionamos no último episódio: liberdade religiosa, liberdade de imprensa, a separação entre Estado e Igreja, e até o racionalismo, as doutrinas de religião natural e a soberania popular. Pouco depois, em 1869, Pio IX daria um passo além e, no Concílio Vaticano I, tornou oficial o dogma da infalibilidade papal . Isso significava que a Igreja oficializava e investia toda sua autoridade na crença de que o Papa, quando falava a partir da autoridade de seu cargo, não podia errar  em matéria moral ou religiosa, e, portanto, seus decretos nessas áreas eram compulsórios para todo católico. Nada mais de discussões infindáveis de pontos teológicos: Roma locuta , causa finita . Era o sonho dos ultramontanos: a Igreja Católica finalmente se unificava sob uma única autoridade, ainda que agora só no sentido espiritual. Foi justamente nesse momento, diante dessa Igreja em guerra aberta aos princípios da modernidade, que uma nova forma de espiritualismo surgiu, abraçada justamente aos valores que o Sílabo de 1864 rejeitava. Ciência, racionalidade, progresso, reforma social e, acima de tudo, liberdade eram as marcas dessa nova forma de vivenciar a espiritualidade — nas quais o Espiritismo de Allan Kardec se incluía.   Bibliografia sugerida CAIANI, Ambrogio A.   Losing a Kingdom, Gaining the World: The Catholic Church in the Age of Revolution and Democracy.   Apollo, 2023. [Edição Kindle.] DUFFY, Eamon . Saints and Sinners: A History of the Popes . Yale University Press, 2014. [Edição Kindle.] SHARP, Lynn L. Secular Spirituality: Reincarnation and Spiritism in Nineteenth-Century France . Lexington Books, 2006.   [Edição Kindle.]

  • O Catolicismo na França de Kardec – Parte I

    Rodrigo Farias Para entender qualquer movimento, seja ele filosófico, religioso, social ou político, a compreensão do seu contexto é fundamental. Para isso, é preciso olhar não apenas para o que o próprio movimento diz, mas também para o que está acontecendo à sua volta em seu lugar e tempo de origem. No caso específico do Espiritismo, surgido na França de meados do século XIX, uma boa forma de começar é olhar para a principal força religiosa atuante no país, e à qual Kardec se viu forçado a responder em vários pontos de sua obra: a Igreja Católica Romana. Assim, é dela que falaremos neste artigo, apresentando um breve sobrevoo sobre o estado da Igreja, em especial na França, durante aproximadamente o período entre a ascensão de Napoleão Bonaparte e o Concílio Vaticano I.   A situação da Igreja na França passou por mudanças traumáticas na virada do século XVIII para o XIX. Antes da Revolução de 1789, a Igreja era um pilar da ordem estabelecida, depois chamada de Antigo Regime. Nele, uma sociedade de nobres e plebeus era governada por um rei por suposto direito divino com as bênçãos da autoridade religiosa. Não é de espantar que, quando a Revolução veio o ataque à Igreja foi feroz. A crítica iluminista à religião cristã como superstição e obscurantismo, agora deu vazão à repressão, ao confisco de bens, a cassação de privilégios, o controle estatal e até a tentativa de fundar uma nova religião da Razão. O anticlericalismo se tornaria um traço frequente da ideologia liberal que inspirava os revolucionários, especialmente na França, ao longo de todo o século.   Mas nem tudo era ideologia ou desejo de desforra. Havia um componente prático na preocupação dos liberais com a Igreja. Afinal, numa época de comunicações precárias e sem ensino público, era ela, a Igreja, a instituição com maior alcance no seio do povo. O clero não apenas dominava as poucas escolas existentes, mas seus sermões ajudavam a formar a opinião pública, fosse para defender mudanças – como tantos religiosos fizeram na Revolução de 1789 – ou, o que era mais comum, para deixar as coisas como estavam.   Os governantes europeus sabiam muito bem disso. Ainda no tempo de Luís XIV, o grande ícone do absolutismo monárquico, a França adotou oficialmente o Galicanismo. Esse movimento dizia que a Igreja de cada país devia estar subordinada ao rei, e não ao Papa. Então, era natural que esse mesmo rei, escolhido por Deus, escolhesse os bispos da Igreja em seu território, e até os destituísse quando julgasse apropriado. Dessa forma, a estrutura da Igreja se tornava um recurso a mais nas mãos de um Estado que se valia da fé cristã para se sustentar.     O problema era que, nessa época, a Igreja também tinha interesses temporais, não só espirituais. Por exemplo, ela governava territórios próprios, os Estados Papais, mais ou menos no centro da Itália de hoje. Defendê-los era questão de honra para os papas, especialmente nesse momento da história, o início do século XIX, em que a autoridade eclesiástica era tão contestada, fosse por quem queria extingui-la em nome da razão ou dos que queriam usurpá-la para si. E mais de uma vez, o Papa precisou pedir a potências estrangeiras, como a Áustria, que ajudassem os exércitos papais – isso mesmo, exércitos papais –  a repelir invasores ou abafar revoltas dos seus próprios súditos. Súditos esses que, muitas vezes, queriam para si as mesmas liberdades  que os revolucionários de 89 tinham instituído primeiro na França e depois noutras partes da Europa.     O liberalismo foi a fonte filosófica dos grandes princípios usados pela burguesia na Revolução Francesa. Os chamados direitos civis, hoje consagrados nas constituições de todas as democracias modernas dignas desse nome, nascem dessa maneira de entender a política. Entre esses direitos, na época chamados de liberdades  (daí o termo “liberalismo”), alguns eram vistos pelos mais conservadores dentro da Igreja como uma ameaça em potencial: a liberdade de consciência, ou seja, poder crer em qualquer religião que se queira; liberdade de culto, ou seja, poder praticar , sem represália ou limitação legal, os ritos de sua fé; liberdade de expressão, que significava exprimir seu pensamento sem, por exemplo, temer acusações de heresia, blasfêmia ou impiedade; e a liberdade de imprensa, pela qual as opiniões inconvenientes podiam se espalhar pelo restante da sociedade; isso sem falar das iniciativas por uma educação laica, que ameaçavam uma atividade que há séculos era praticamente uma prerrogativa eclesiástica. Do ponto de vista da Igreja, que se via como a guardiã da moral e do bem-estar espiritual da sociedade, reconhecer tais direitos era como abrir mãos dos poderes que lhe permitiam cumprir adequadamente seu papel, pois nessa época a ideia de que religião era uma questão privada de cada um ainda soava controversa. Pelo contrário, ainda era forte nas fileiras clericais a crença de que a Igreja tinha o direito legítimo, e o dever, de fiscalizar as ideias que circulavam na sociedade para assim salvar o maior número de almas por todos os meios necessários.  Para ela, portanto, o poder temporal era uma ferramenta de salvação.   Voltando ao caso francês, existia ali o Galicanismo , um movimento que se consolidou durante o reino do rei Luís XIV, na segunda metade do século 17. Sua tese principal era a de que a Igreja de cada país devia estar subordinada ao monarca, e não ao Papa. Lembremos que essa é uma época em que se trabalhava com a ideia de que a autoridade do soberano era dada diretamente por Deus. Não por acaso, é do mesmo Luís XIV a célebre frase L’État c’est moi (O Estado sou eu). Então, seria natural que esse mesmo rei escolhido por Deus escolhesse os bispos da Igreja em seu território, e até os destituísse quando julgasse apropriado. Além disso, o galicanismo também propunha que o soberano era independente do papa em assuntos temporais e que a autoridade do Sumo Pontífice estava abaixo da dos concílios, e suas decisões poderiam ser alteradas por eles.   O Galicanismo sobreviveu na Igreja francesa aos abalos da revolução e do Império Napoleônico. Era uma doutrina muito conveniente para os governantes, e foi mantida mesmo depois da volta da dinastia Bourbon ao poder, a partir de 1814. Isso gerou um movimento católico de reação e conhecido como Ultramontanismo,  que defendia com afinco que o Papa, e não o rei ou os concílios, deveria ser a autoridade máxima da igreja em todos os assuntos. No começo, esse ultramontanismo se misturava com os chamados reacionários, aqueles que queriam fazer o relógio voltar para trás, para antes da Revolução Francesa – e assim devolver o maior número possível de  privilégios do clero e da nobreza. E eles bem que tentaram: nesse período que vai da queda de Napoleão até 1830, a política assume formas bem conservadoras. Havia eleições, mas só podia votar ou se candidatar quem tivesse um certo nível de renda e propriedade. E, para azar dos ultramontanos, a dinastia restaurada, apesar de se dizer católica e devota, não  renunciou ao poder que o Galicanismo lhe dava. A luta para centralizar o poder religioso a Roma continuava.   Mas, em 1830, veio o susto. Uma nova revolução explodiu na França. Barricadas se erguem em Paris, multidões saem à rua, e o rei Carlos X é posto para fora em nome de princípios liberais. Mais uma vez, os Bourbons perdem o poder, e agora para sempre. Em seu lugar, assume Luís Felipe de Orléans, conhecido como o “rei burguês”. Luís Felipe, frequentemente visto com chapéu e guarda-chuva, não ostentava a pompa dos antecessores. Em seu governo, a burguesia, e não a nobreza e o clero, era a principal beneficiária. Mas ele também não renunciou ao sistema galicano. O Estado continuava nomeando e remunerando clérigos.   Essa situação, que não era só na França, foi um estímulo para Roma iniciar um processo de reafirmação de sua autoridade que se estendeu pelas próximas décadas. E não foi só uma questão de política, mas que também envolveu milagres, novos dogmas, e até guerras. Disso trataremos no próximo artigo.   Bibliografia: CAIANI, Ambrogio A.   Losing a Kingdom, Gaining the World: The Catholic Church in the Age of Revolution and Democracy. Apollo, 2023. [Edição Kindle.] DUFFY, Eamon . Saints and Sinners: A History of the Popes . Yale University Press, 2014. [Edição Kindle.] SHARP, Lynn L. Secular Spirituality: Reincarnation and Spiritism in Nineteenth-Century France . Lexington Books, 2006.   [Edição Kindle.]

  • Política, ética e Espiritismo

    Por Bruno Lins Quintanilha – 2ª ed. Agosto 2024 - brunolquinta@gmail.com O objetivo deste artigo é refletir sobre a relação entre política, ética e Espiritismo. Aponto, de antemão, que em minha percepção, esse trinômio é indissociável, ou seja, a doutrina espírita possui um arcabouço ético que, inevitavelmente, tem consequências políticas nos indivíduos e na sociedade. Diria, inclusive, que essa mesma lógica é válida para qualquer religião ou movimento religioso que, até onde concebo, sempre possuirá sua ética própria e suas repercussões políticas. Para começar, penso que é importante definir claramente o que cada palavra ou termo principal que utilizo significa para mim, para que, dessa forma, seja possível estabelecer uma comunicação mais sistematizada, clara e didática. O primeiro termo que quero definir é Espiritismo . O Espiritismo é, ao meu ver, um campo do conhecimento – ainda muito inexplorado –, uma filosofia espiritualista e um estímulo a uma religiosidade livre, aberta e autônoma. Enquanto campo do conhecimento, busca investigar e compreender as relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos [1] . Enquanto filosofia espiritualista, o Espiritismo questiona sobre o que está para além do estritamente material, refletindo sobre as consequências da imortalidade da alma e das relações entre os Espíritos e os homens por meio da mediunidade. A partir dos seus conceitos principais (mediunidade, Espírito, Deus, evolução e reencarnação) e de sua ética (pautada no respeito, na empatia, na não violência e no altruísmo) [2] , o Espiritismo pode vir a estimular religiosidade, ou seja, uma conexão do indivíduo com algo superior, mas uma conexão independente de instituições, lugares e regras. O segundo termo relevante a definir é o de ética . O dicionário online Michaelis (2022) aponta uma definição que é simples e didática: “Conjunto de princípios, valores e normas morais e de conduta de um indivíduo ou de grupo social ou de uma sociedade.” Ou seja, sob essa perspectiva, a ética seria como um código de conduta, um conjunto de valores que norteiam nossas opções e ações enquanto indivíduos, grupos ou sociedade. Dessa forma, seria possível falar de uma ética médica, de um conjunto de valores e condutas que seriam imprescindíveis para uma prática médica de excelência. É possível falar de uma ética docente, de uma ética cristã, de uma ética espírita, e assim sucessivamente. Sendo assim, o Espiritismo também possui uma ética que, em minha opinião pessoal, está pautada em 4 valores: respeito, não violência, empatia e altruísmo. Deduzo essa ética espírita a partir de todas as leituras que até então tive a oportunidade de vivenciar no Espiritismo, adotando as obras de Kardec como pilar central – em especial, a 2ª parte do livro “O céu e o inferno”. Dessa maneira, em minha percepção, a pessoa que queira estar em coerência e consonância com a proposta espírita para o indivíduo e para a sociedade precisa ter esses valores que citei anteriormente como norteadores de suas ações. O terceiro termo a definir é o de política . Para mim, de forma muito resumida, eu diria que podemos dividi-la em dois tipos: 1)  A política institucional, ou seja, aquela que em uma democracia é praticada por representantes eleitos periodicamente pelo povo (vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes) nas mais diversas instâncias oficiais do Estado ou por meio de instituições da sociedade civil como sindicatos, partidos, associações, conselhos, etc. 2)  A política da vida cotidiana, ou seja, meus posicionamentos perante os fatos que acontecem, minhas opiniões acerca dos mais variados assuntos, minhas visões de mundo e minha ação na sociedade. Diria que, no mundo atual, em um Estado democrático, é impossível não estarmos relacionados ou sermos neutros em qualquer uma dessas duas formas de política: (...) em qualquer atividade que se exerça, faz-se política, toma-se posição nesse mundo desigual. Cada um de nós é chamado a se posicionar. Não existe neutralidade. Em tudo que fazemos contribuímos para manter ou transformar a realidade; dominar ou mudar; oprimir ou libertar. (BETTO, 2021, p. 88) Na primeira concepção de política aqui expressa, é impossível a neutralidade porque no contexto de Brasil, todos somos obrigados a votar para eleger nossos representantes na esfera municipal, estadual e federal. E ainda que algum indivíduo opte por não votar ou votar em branco ou nulo, ainda assim, ele está se posicionando politicamente. Na segunda concepção de política também é impossível ser neutro porque todos nós agimos na sociedade, temos visões de mundo, opiniões e posicionamentos acerca dos fatos. Importante observar que, a depender das circunstâncias, mesmo o silêncio ou a inação também não deixam de ser uma espécie de posicionamento político. Feita a apresentação do que entendo como sendo cada um dos termos principais deste artigo, fica a questão: como política, ética e Espiritismo se relacionam? A meu ver, a resposta para isso é simples. Se a política está presente tanto no voto quanto na vida, é forçoso afirmar que todos nós temos valores que nos guiam em nossos votos e em nossas ações e opiniões cotidianas. Ou seja, todos temos, ainda que não percebamos, algum tipo de ética que norteia nossa forma de ver e agir no mundo. Sendo assim, ética e política estão inevitavelmente conectadas. E no caso do espírita, a ética espírita e a política também estão conectadas. A questão é que se adoto a ética espírita e seus valores (respeito, não violência, empatia e altruísmo) na minha vida, isso repercutirá na minha atuação na política institucional, por meio do voto, como também na política da vida, por meio dos meus posicionamentos e ações. Assim também ocorrerá, em minha visão, com o judeu e a ética judaica, o muçulmano e a ética islâmica, o cristão e a ética cristã, um agnóstico ou ateu e a ética que estes adotam para sua vida [3] , etc. Sendo assim, seguir a ética espírita como eu a concebo, inevitavelmente, faz com que nossos votos, posicionamentos e ações cotidianas sejam contra: a)  Qualquer forma de violência e opressão (tortura, racismo, lgbtfobia, xenofobia, machismo, preconceito religioso, fome e miséria, desemprego, brutais desigualdades sociais, corrupção, uso da máquina pública para fins pessoais, etc.). b)  Contra qualquer forma de autoritarismo (ditaduras, ausência de liberdade de pensamento, ausência de liberdade religiosa, ausência de cultura democrática, etc.). c)  Contra qualquer forma de exploração do ser humano. d)  Contra qualquer forma de exploração da natureza (poluições indiscriminadas, caça, destruição dos recursos e patrimônios naturais, maus tratos aos animais, etc.). Aylton Paiva (2014, p. 94) vai apontar que: “é indispensável que, embasado nos princípios espíritas, se trabalhe para remover as causas geradoras da miséria, da ignorância e dos vícios.” Peguemos um exemplo concreto. Jesus é uma figura histórica e religiosa muito relevante para diversas matrizes religiosas e, no Espiritismo, é também encarado como um exemplo e inspiração. Muito embora tenha vivido em um tempo histórico, em um recorte geográfico e em uma cultura muito diferente do Brasil de início do século XXI, ele legou exemplos de conduta e de posicionamentos que são, de certa forma, atemporais. Lendo os evangelhos, no novo testamento, é possível observar que Jesus não tinha envolvimento com a política institucional da época, mas tinha sim forte envolvimento na política da vida, pois sempre se posicionava a favor dos pobres, dos oprimidos, das vítimas da violência e do preconceito, acolhia aqueles que queriam se renovar para o amor e a generosidade. Jesus se posicionava contra o fundamentalismo religioso, contra o uso da religião para oprimir. Não se vê nos textos um Jesus omisso, mas sim um Jesus atuante na política da vida, do cotidiano, um Jesus que defende a mulher que seria apedrejada, um Jesus que acolhia cegos, deficientes, leprosos, que jamais se negava a receber aqueles que sinceramente o procuravam, um Jesus que combatia as injustiças por meio da não violência, um Jesus preocupado com o bem-estar do ser humano, com o amor em seu sentido mais profundo e amplo. Frei Betto, no livro “Espiritualidade, amor e êxtase” propõe que a atuação de Jesus estava centrada em 4 aspectos básicos 1) Soberania da vida 2) O direito dos pobres 3) A partilha 4) O poder como serviço Segundo Frei Betto: Não haverá verdadeira democracia enquanto esses quatro pressupostos não estiverem estruturalmente assegurados para todos: direito de acesso às condições dignas de vida; combate às causas da miséria e da pobreza; partilha dos ‘bens da Terra e dos frutos do trabalho humano’, como se reza à mesa eucarística; e poder como serviço. (BETTO, 2021, p. 57) Junto a isso, julgo também importante apontar algumas observações a respeito da relação entre política e Espiritismo: não acredito numa bancada espírita no legislativo ou em anúncios de candidatos políticos na casa espírita, o que seriam práticas extremamente inadequadas; entretanto, acredito numa casa espírita que acolhe, que cuida, que estimula uma cultura democrática, que tanto quanto possível acompanha a sociedade e a ciência. Num outro lado, também gostaria de observar que não acredito que seja saudável e empático obrigarmos pessoas a se posicionarem sobre algo que elas não queiram ou não se sintam confortáveis para fazê-lo. O respeito ao momento e jeito de cada um também é elemento imprescindível. Da mesma forma como também jamais podemos obrigar uma pessoa a pensar como nós. Podemos discordar, mas precisamos respeitar. Por fim, para concluir, gostaria de apontar que a religião tem inevitavelmente uma dimensão política, pois pode tanto favorecer a manutenção quanto a subversão de determinada ordem social, além de, através da ética que adota e das visões de mundo que estimula influenciar na ação política institucional e cotidiana das pessoas [4] . E que, por fim, o Espiritismo precisa ser um estimulante para a construção de uma sociedade melhor, onde extingamos a violência, a opressão, a exploração, onde nenhuma pessoa passe fome ou tenha que dormir na rua, onde a natureza seja respeitada devidamente e utilizada de forma sustentável. Onde a vida esteja acima do lucro. O Espiritismo precisa estimular e fortalecer a cultura democrática e uma mentalidade preocupada com o coletivo. E a caridade, em minha percepção, precisa passar a ser encarada não apenas como atuar individualmente no auxílio do próximo em trabalhos sociais ou voluntariados, mas também atuar pela melhoria estrutural da sociedade.   Referências BETTO, Frei. Espiritualidade, amor e êxtase. Petrópolis: Vozes, 2021. KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo [tradução da Redação de Reformador  em 1884]. 56. ed. Brasília: FEB, 2013. MICHAELIS. Verbete “ética”. Disponível em: < https://michaelis.uol.com.br/ > Acesso em jul 2022. PAIVA, Aylton. Espiritismo e Política: contribuições para a evolução do ser e da sociedade. 1. ed. Brasília: FEB, 2014. [1] Para identificar o objeto de estudo do Espiritismo na ótica kardequiana, recomendo ler o “preâmbulo” da obra O que é o Espiritismo, de Allan Kardec. [2] Para maiores explicações a respeito dos conceitos e dos valores da ética espírita, recomendo a leitura de minha obra “O que é o Espiritismo? Uma tentativa de resposta para o século XXI”. Caso deseje, solicite-a por e-mail que envio gratuitamente. [3] Importante observar que nem toda ética está necessariamente relacionada a um segmento religioso. Além disso, cabe também observar que dentro de cada segmento religioso é possível que existam disputas internas em torno dos valores que constituiriam a ética daquele segmento. Ou seja, é possível que tenhamos mais de uma ética cristã por exemplo, derivada de grupos cristãos que discordam entre si em algumas questões. [4] Sobre a relação entre política e Espiritismo, indico a leitura do livro “Espiritismo e Política: contribuições para a evolução do ser e da sociedade”, de Aylton Paiva, editado pela FEB.

  • Natureza, cultura, religião e espiritualidade

    Por Bruno Lins Quintanilha Você já se perguntou o que é natureza  e tentou responder de forma simples e direta? Nem sempre é tão rápido ou fácil definir conceitos e palavras e, por vezes, cada pessoa definirá de forma diferente. Para mim, natureza  é tudo aquilo que não foi feito pelo ser humano: sol, água, rios, mares, ar, animais, plantas, solo, a vida. Nada disso têm origem humana. Na verdade, até o próprio ser humano é natureza , pois ele não deu origem a si mesmo. Biologicamente, somos frutos da evolução das espécies, que é um fenômeno natural e, por mais que nos reproduzamos, nós não demos origem a nós mesmos enquanto espécie; logo, também somos natureza . De um outro lado, temos a cultura , que é tudo aquilo que foi feito pelo ser humano. Podemos dividir a cultura  em material e imaterial. São objetos culturais materiais casas, ruas, cidades, roupas, celular, computador, ventilador, máquina de lavar, fogão, etc. E são cultura  imaterial a culinária, a música, o idioma, o carnaval, samba, roda de capoeira, natal, páscoa, etc. Além disso, diria que um dos grandes problemas em relação aos conceitos de natureza  e cultura  ocorre quando os confundimos e tomamos um pelo outro. Vou dar um exemplo. Do ponto de vista da natureza , o homem é superior a mulher? O negro é inferior ao branco? A orientação sexual define superioridade ou inferioridade? A resposta para todas essas perguntas é não . Entretanto, culturalmente, ou seja, a partir de algum momento, em algum lugar, pessoas começaram a pensar e a instituir que haveria hierarquia entre homens, mulheres, negros, brancos, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, transsexuais, criando assim, historicamente, o machismo, o racismo, a hoje chamada lgbtfobia e muitos outros tipos de diferenciações artificiais e violentas. O que ocorre, é que ou por ignorância, ou por interesses, ou por mau caratismo e crueldade, ou por tudo isso junto, há pessoas e grupos que acreditam que hierarquia entre homens e mulheres, negros e brancos ou pessoas de orientações sexuais diferentes é algo que sempre existiu, que está na natureza, e não que foram criações perversas e totalmente equivocadas do próprio ser humano. Machismo, racismo, lgbtfobia, enormes desigualdades socioeconômicas, guerras, escravidão, exploração, são todos produtos culturais, criações humanas. Nada disso está na natureza, nada disso é natural. E tudo o que é cultura , pode tanto ser construído quanto desconstruído. Logo, é perfeitamente possível falarmos de uma cultura  de equidade de gênero, de uma cultura  de equidade racial, de uma cultura  de respeito pela diversidade sexual, de uma cultura  de compartilhamento e equidade socioeconômica, de uma cultura  de justiça e paz, de uma cultura  de cooperação - ao invés de exploração. Mas feita essa distinção entre natureza  e cultura , fica uma questão: religião  é cultura  ou natureza ? Ou seja, é ou não é uma criação humana? O fato é que agradando ou não, a resposta é que a religião  é uma criação humana e, portanto, não está na natureza . Catolicismo, protestantismo, islamismo, umbanda e muitas outras têm locais e datas de fundação, ou seja, não existiram desde sempre. E como criações e instituições humanas, as religiões estão sujeitas a todas as contradições da humanidade: elas mesclam luzes e sombras, virtudes e lacunas, contribuições e prejuízos; podem auxiliar na libertação do ser humano, na construção de sua autonomia, mas também podem escravizá-lo; podem contribuir para um mundo mais justo, pacífico, fraterno, mas também podem estimular preconceitos, estereótipos, visões distorcidas e até mesmo violência. Podem mesmo auxiliar em alguns pontos e prejudicar em outros simultaneamente. Logo, sendo a religião  um elemento da cultura , proveniente do ser humano, ela precisa ser encarada de forma crítica também. Os livros chamados de sagrados foram escritos e organizados por mãos humanas, e todo ser humano é limitado. Essas obras podem conter muitos ensinos, histórias e reflexões úteis, inspiradoras, belas, mas também contém elementos e ideias que são de outro contexto histórico, social, cultural e que na atualidade podem mesmo ser absurdos. Logo, é preciso filtrar o humano e aproveitar o que for realmente superior e útil. Para isso, é necessária uma crítica saudável e madura. E, para além disso, uma cultura de diálogo, abertura e não dogmatismo. Num contraponto a religião , temos a espiritualidade . Para mim, espiritualidade seria qualquer sensação ou percepção no ser humano que transcende, de alguma forma, o estritamente material e fisiológico. Por exemplo: uma pessoa está em uma praça cheia de natureza e tranquilidade e, fechando seus olhos, ouve o canto dos pássaros e sente o vento suave que desliza sobre sua pele; nesse estado de relaxamento e contemplação é tomado por uma profunda sensação de conexão com toda a vida ali presente, é envolvido por uma alegria e sensação de bem-estar profundas. Neste momento, essa pessoa estaria vivenciando um momento de transcendência do material, ou, com outras palavras, um momento de espiritualidade . É possível dar outros exemplos: andar por um museu e deparar-se com uma obra de arte que te emociona, arrepia e sensibiliza; ter momentos de trocas intelectuais, debates e reflexões que te empolgam e inspiram; abraçar alguém que ama e sentir uma sensação de paz e alegria que não é possível descrever em palavras; observar o pôr do sol e ser tomado por um sentimento de admiração pela beleza e grandiosidade da natureza; receber o carinho de pessoas queridas durante seu aniversário e sentir com isso uma profunda gratidão pela vida e pelos afetos; orar com fé e sentir um tipo de conexão, amparo e conforto. Todas essas sensações ou percepções que ultrapassam a barreira do estritamente material são, no que estamos desenvolvendo aqui, momentos de espiritualidade . Para ficarmos com um exemplo da cristandade, Jesus, segundo é possível observar no Novo Testamento, vivencia a espiritualidade independentemente de lugares, pessoas ou situações específicas. Pela vivência do amor em seu sentido mais profundo, do acolhimento aos que sofrem, da escuta aos necessitados, do contato com a natureza e com o povo, das orações, dos momentos em que ensinava junto ao povo ou simplesmente convivia com seus amigos, ele provavelmente vivenciava, com frequência, essas sensações de transcendência da matéria. Dessa forma, a espiritualidade  de Jesus não estaria restrita somente à religião institucionalizada  ou a templos religiosos , mas se estenderia por qualquer situação cotidiana da vida. Nessa perspectiva, é possível inclusive não professar nenhuma religião  e ainda assim ser pleno de espiritualidade . Não é difícil encontramos exemplos de religiosos sem espiritualidade  e de pessoas que não tem qualquer vínculo religioso, mas são cheias de espiritualidade . Sendo assim, se a religião  é cultura , logo obra humana, a espiritualidade  me parece ser algo inerente ao próprio ser humano e, portanto, talvez mais vinculada a natureza que a cultura . Dessa forma, a espiritualidad e seria um elemento da naturez a no ser humano. Para encerrar, gostaria de citar um trecho do livro “O amor como revolução” do Pastor Henrique Vieira, pessoa que admiro muito em sua espiritualidade cheia de humanidade, abertura e sem dogmatismos: Espiritualidade é abertura, fundamentalismo é fechamento. Espiritualidade se move nas perguntas, fundamentalismo, em certezas irretocáveis. Espiritualidade é experiência e contemplação, fundamentalismo é doutrina. Espiritualidade se move no amor e na liberdade, fundamentalismo, na culpa e no medo. Espiritualidade transita nas diferenças e percebe a diversidade como expressão sagrada, fundamentalismo vê a diversidade como maldição. Portanto, a experiência religiosa é saudável quando alimenta a espiritualidade sem sufocá-la. (VIEIRA, 2019, p. 65) Por mais espiritualidade  livre e aberta e menos religião  dogmática e sectária. Deixo com vocês meus desejos de muita saúde, inspiração e paz   REFERÊNCIAS VIEIRA, Henrique. O Amor como Revolução. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2019.

  • Humanizando o Espiritismo e as pessoas: por um olhar crítico e fraterno

    O Espiritismo contou com grandes mentes e corações para que pudesse ser construído através de muita pesquisa, trabalho, reflexão e mesmo abnegação. É grande a lista de figuras públicas que, ao longo dos últimos um século e meio, se destacaram e, consequentemente, se tornaram inspiração intelectual ou ética dentro do movimento espírita. Isso é natural em qualquer movimento filosófico, religioso ou social. Entretanto, muitas vezes, em um gesto até certo ponto muito comum à humanidade, a admiração frequentemente se transforma em adoração, em mitificação, o que por sua vez considero bastante ruim e até mesmo perigoso, pois desumaniza aqueles que se destacam ou se tornam figuras públicas, podendo estimular a adoção de posturas acríticas perante estes. Jamais podemos perder de vista a noção espírita de evolução[1]. Todas e todos que estão encarnados na Terra estão em processo de evolução, ou seja, de amadurecimento intelecto-moral na direção da sabedoria, da sensibilização e de valores como o respeito, a não violência, a empatia, o altruísmo. Sendo assim, não se pode esquecer que mesmo grandes vultos do Espiritismo do passado ou do presente são seres em evolução, pessoas que podem ser brilhantes intelectualmente em algumas áreas, destacadas do ponto de vista ético, abnegadas em suas tarefas, mas ainda assim seres humanos, que podem se equivocar, que ignoram determinadas informações ou conhecimentos, que podem sentir insegurança, impaciência, medo, raiva, tristeza. Penso que lançar esse olhar humanizante é não só saudável, mas mesmo fundamental para uma noção mais ampla e profunda do Espiritismo e da vida. Todo ser humano é limitado pelo tempo, pelo lugar, pela cultura e sociedade onde nasceu. É justamente por isso que, na perspectiva espírita, precisamos reencarnar, pois assim experimentamos múltiplas experiências e, dessa forma, expandimos nossa capacidade de pensar e de sentir. Jamais podemos abrir mão de pensar criticamente. Entretanto, é também relevante expor o que aqui entendo por crítica e pensamento crítico. Quando é mencionado o termo crítica, tenho a impressão de que em boa parte das pessoas ele soa de forma negativa. Muitos parecem interpretar a crítica como sendo falar mal de alguém, de alguma ideia ou de algo. Entretanto, é justo apontar que a crítica vai muito além disso. Avalio que, antes de tudo, a crítica é, por exemplo, uma avaliação sobre alguma ideia. Nossa avaliação sobre algo pode ser positiva como também pode ser negativa, como também pode concordar com alguns pontos e discordar de outros. E o mais importante: posso criticar determinada ideia sem necessariamente odiar ou marginalizar a pessoa que a emitiu. Posso criticar uma ideia e ser profundamente amigo de quem a formulou, mas, justamente por querer ver o melhor da pessoa a quem estimo, dou a minha avaliação/crítica sobre o que ela pensa com o intuito de contribuir ou melhorar o máximo possível suas ideias. Acredito que precisamos mais dessa perspectiva intelectual de crítica, passando a enxergá-la como algo muito positivo, desde que bem intencionada, educada, respeitosa, fraterna e empática. Uma ideia ou pessoa que nunca é questionada tem fortes chances de ser extremamente frágil. A crítica, quando equilibrada e respeitosa, aprimora e refina as ideias. Basta recorrermos ao esquema dialético, onde temos uma ideia A (tese) e uma ideia B (antítese) e, a partir do choque, do embate entre essas ideias, teremos uma ideia C (uma síntese, uma nova ideia ou perspectiva). Muitas vezes, quando somos confrontados por um novo ponto de vista de alguém, acabamos pensando diferente, podemos até mesmo mudar nossas conclusões e ideias ou simplesmente fortalecer um pouco mais o que já pensávamos. Dessa forma, a crítica equilibrada às ideias pode ser muito saudável e importante para o amadurecimento pessoal, coletivo ou institucional. O próprio Kardec não se nega ao debate, à troca, à crítica de ideias. Na introdução da Revista Espírita de janeiro de 1858 ele escreve o seguinte: “Nossa Revista será, assim, uma tribuna livre, em que a discussão jamais se afastará das normas da mais estrita conveniência. Numa palavra: discutiremos, mas não disputaremos.” (KARDEC, sem data, p. 24) Nesse periódico, ao longo de vários anos, Kardec deu vários exemplos dessa crítica sadia, sustentando debates, experimentando ideias, trocando, ouvindo, dialogando, elaborando e reelaborando. Fazendo alusão à importância da avaliação racional e crítica, o Espírito Erasto, no item 230 de O Livro dos Médiuns escreve o seguinte em determinado trecho: Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. (KARDEC, 2013, p. 246) Essa era a postura de abertura e de debate que vigorava no Espiritismo nascente e que acredito mesmo ter sido fundamental para a sobrevivência e continuidade da doutrina. Nessa perspectiva, afirmo com tranquilidade que absolutamente todo autor(a), médium, Espírito, tem que ser lido de forma crítica. O que não nos agrada, não devemos aceitar de forma passiva, mas sim criticar, raciocinar, conversar com outras pessoas – sem jamais se esquecer do princípio da caridade. Isso é fundamental. E essa era uma postura que figuras como Allan Kardec ou Léon Denis sempre tiveram. Corrobora esse pensamento a frase que está inscrita na folha de rosto de O Evangelho segundo o Espiritismo: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.” (KARDEC, 2013, sem página). Além do mais, o próprio Kardec aponta, em A Gênese, esse caráter dinâmico e aberto do Espiritismo, que só é possível quando há esse ambiente de abertura e crítica sadia: Entendendo-se com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, (...) Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará. (KARDEC, 2013, p. 41-42) É importante apontar que outro possível efeito da desumanização dos grandes vultos do Espiritismo é que podemos vir a criar pressão desproporcional sobre as pessoas, como se todos tivessem que agir exatamente igual aos nomes que se destacaram publicamente. Isso pode vir a criar, inconscientemente, padrões que não conseguimos atingir e que, por sua vez, podem ser geradores de culpa e desânimo. Nesse sentido, acredito que um olhar humanizante para essas figuras pode nos aproximar delas, motivando-nos e fortalecendo-nos. Sobre esse ponto, há uma citação do Pastor Henrique Vieira em que ele escreve o seguinte: O exercício do amor não significa que nos tornaremos seres ideais, com pensamentos puros e atitudes boas o tempo inteiro. É ingenuidade pensar assim, e é perigoso também, porque estabelece uma demanda da qual ninguém dá conta, e, da frustração, nascem a culpa e a permanente insatisfação. O amor não nos maquiniza ou programa para ações sempre ajustadas e perfeitas. Ele não nos imuniza dos conflitos, não nos faz pairar sobre a história. Continuamos sendo precários, finitos, contraditórios e vulcânicos em nossos sentimentos e ações. Qualquer visão que exclua essa realidade tende a pesar demais. Somos demasiada e fantasticamente humanos, e o amor não suprime ou supera essas tensões de nossa existência. Há dias que são ruins, em que estamos mais estressados e intolerantes, que não conseguimos agir de maneira mais justa e adequada. (VIEIRA, 2019, p. 42) Ainda no mesmo sentido, o médico e espírita brasileiro Sergio Lopes acrescenta: Muita gente confunde crescimento espiritual com sacrifícios penosos, ou mesmo sofrimentos voluntários que, muitas das vezes, se dão mais porque a própria pessoa não procura recursos. Há pessoas, bem intencionadas, diga-se de passagem, mas que resolveram virar santos rapidamente. Querem alcançar uma evolução impossível da noite para o dia. No entanto, o que a humanidade está precisando não é de indivíduos super-humanos, mas de seres humanos apenas. Pessoas capazes de serem melhores no seu dia a dia, indivíduos comuns, sem afetação, mas com o propósito de uma vida mais ética. (LOPES, 2007, p. 86) Além disso, a mitificação de indivíduos também pode vir a ser uma grande geradora de decepções, porque se coloco todas as fichas de confiança e fé num palestrante e mais cedo ou mais tarde este comete algum equívoco – o que até certo ponto é natural, pois é um ser em evolução –, posso vir a me decepcionar com o Espiritismo por achar que aquela pessoa era o Espiritismo. Ter referências é importante, mas é também necessário nos apegarmos com ideias e ideais, e não apenas com pessoas, que são todas falíveis em certa medida no estado atual da Terra. Por fim, a mitificação de nomes e indivíduos gera muita pressão sobre os próprios autores, autoras, médiuns, palestrantes, aumentando ainda mais seus desafios e tribulações, além de estimular-lhes, inconscientemente, orgulho, vaidade. Nessa perspectiva, a mitificação seria ainda uma falta de caridade[2]. Que possamos nos relacionar com o Espiritismo de forma aberta, dialógica, generosa, e que este possa ser uma ferramenta para nos estimular um olhar humanizante, acolhedor, crítico e fraterno ao mesmo tempo, a exemplo do que Kardec fez durante sua trajetória de pesquisa e sistematização da doutrina. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC, Allan. A Gênese [tradução de Guillon Ribeiro da 5a ed. francesa]. 53. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo [tradução de Guillon Ribeiro da 3. ed. francesa, revista, corrigida e modificada pelo autor em 1866]. 131. ed. 2. imp. (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2013. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, ou, guia dos médiuns e dos evocadores: Espiritismo experimental [tradução de Guillon Ribeiro a partir da 49a edição francesa de 1861]. 81. ed. 1. imp. (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2013. KARDEC, Allan. Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos 1858 [tradução de Evandro Noleto Bezerra]. Brasília: Federação Espírita Brasileira. Disponível em: https://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1858.pdf Acesso em 26 jan 2022. LOPES, Sergio Luis da Silva. Leis Morais e Saúde Mental: Um Estudo da Terceira Parte de O Livro dos Espíritos. 7. ed. Porto Alegre: Francisco Spinelli, 2007. SOLER, Amália Domingo. Memórias do Padre Germano. 14. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980. VIEIRA, Henrique. O Amor como Revolução. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2019. [1] Ver O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, em sua Parte Terceira, capítulo VIII, intitulado “Da lei do progresso”. [2] Recomendo aqui a leitura da obra Memórias do Padre Germano, editada pela FEB, e de autoria de Amália Domingo Soler. Neste livro, o personagem principal – Germano – dá variados exemplos de uma postura humanizante.

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