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Estupro coletivo e camaradagem brutal

  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Por Gabriel Lopes Garcia


Semana passada veio a público mais um crime que é o retrato da sociedade brasileira — misógina —, que não tira as leis do papel e não se compromete com a metade de sua população — as mulheres. O caso é chocante pelo fato em si e pela leniência inicial do poder judiciário.

No Rio de Janeiro, uma adolescente de 17 anos marcou um encontro com o ex-namorado. Ele levou quatro cúmplices para um estupro coletivo premeditado. Não agiram por impulso: foi organização, convite e conivência. Cinco homens contra uma garota diz muito mais sobre a nossa sociedade do que qualquer debate teórico.

 

Masculinidade violenta

Assustam o crime e a naturalidade como foi executado. Um homem chama e os outros aceitam. Ninguém hesita, não denuncia nem impede: pelo contrário, participam. Como se fosse banal e o corpo da menina fosse um território disponível para a imposição sexual. Essa nova geração criada nas mídias sociais está contaminada pelo ódio às mulheres.

Mas a misoginia não brota do nada: é ensinada, reforçada, compartilhada e financiada. Os jovens combinaram o estupro coletivo: não é “desvio” individual ou monstruosidade. Isso é resultado de uma cultura que normaliza, incentiva e lucra com a desumanização da mulher. Reconhecer e combater essa educação cultural machista é tarefa urgente de todos nós.

 

Legislação não basta

Sempre que estes crimes bárbaros são noticiados, há um clamor por mais leis e punições mais severas. Concordo parcialmente, pois já temos boas leis. Precisamos executá-las de modo eficiente, porque é real a sensação de impunidade e de que está desprotegida. A morosidade do poder público e a revitimização também são reais.

Essa situação não é por acaso, mas o reflexo de um projeto político. Por isso precisamos de políticas públicas sérias; de educação afetiva e sexual com ênfase no respeito e no consentimento; de enfrentamento da misoginia no currículo das escolas; e de efetiva responsabilização. Não é suficiente apenas a prisão depois da tragédia, mas um sistemático trabalho de prevenção antes dela.

 

Machosfera

Além das ações concretas acima elencadas, temos de lidar com o contexto de uma geração emocionalmente adoecida, formada no ambiente tóxico das redes sociais virtuais. Não podemos ignorar que a misoginia está impregnada em parcela expressiva da juventude que cresceu assistindo pornografia, participando de fóruns de ódio e sendo bombardeada por discursos masculinistas.

Multiplicam-se lucrativos perfis de homens, com milhares de seguidores, ensinando a categorizar mulheres “de valor” e mulheres “sem valor”. Regulamentar essas empresas bilionárias (Big techs) é fundamental para o combater a misoginia, o estupro e o feminicídio. Os garotos aprendem na internet, desde a infância, as piores coisas machistas e violências de gênero como se fossem naturais e desejáveis.

 

Transformação cultural

O estupro coletivo dessa adolescente escancara uma falha social e educacional profunda. Infelizmente, não é um fato isolado. É sintoma da misoginia. Se tratarmos esse crime como exceção, ou os perpetradores como “monstros”, continuaremos produzindo mais meninas vítimas traumatizadas (quando sobreviventes) e mais homens convencidos de que podem tudo.

 

Compete ao meio espírita tomar parte ativa nesse enfrentamento.

Livros e palestras precisam urgentemente atualizar as abordagens sobre a sexualidade e a cultura do ódio contra a mulher. Há muito machismo disfarçado de doutrina. Precisamos educar crianças e adolescentes espíritas em um novo paradigma de gênero, ensinando-os a reconhecer e combater a misoginia.


Artigo em parceria com Blog “Estudos de Cultura Espírita” (https://medium.com/@cultespirita) de 08/03/2026

 
 
 

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