Será que amadurecer é sossegar?
- 21 de abr.
- 4 min de leitura
por Débora Nogueira
Não ter mais inquietações?
Passamos uma boa parte de nossas vidas buscando a segurança, a estabilidade financeira e vamos esquecendo do jovem que buscava como “construir um mundo melhor”.
Para muitos espíritas o mundo de regeneração. Bonito não?
Respira fundo e fale em voz alta: Regeneração.
Mas o que é o mundo de Regeneração senão um mundo onde há o predomínio do bem, da justiça e do amor e as paixões inferiores diminuem.
E de que forma estamos contribuindo para essa transformação?
Estamos em um mundo de provas e expiações e como chegaremos a um mundo de regeneração?
Basta desejar a melhoria?
Em A Gênese, cap XVIII, item 11, Kardec nos diz que:
“Como já dissemos, a marcha progressiva da humanidade se realiza de duas maneiras: uma, gradual, lenta e imperceptível, se considerarmos as épocas consecutivas, que se traduzem por aperfeiçoamentos sucessivos nos costumes, nas leis e nos usos, melhoras que só se percebem com o passar do tempo, como as mudanças que as correntes d’água causam na superfície do globo; a outra pelos movimentos relativamente bruscos, rápidos, semelhantes aos de uma torrente que, rompendo seus diques, transpõe em alguns anos um espaço que levaria séculos para percorrer. É, então, um cataclismo moral que dissipa em alguns instantes as instituições do passado, sobrevindo uma nova ordem de coisas que se assenta pouco a pouco, à medida que a calma se restabelece e se torna definitiva.”
Mas, quem fará tudo isso?
Ainda em A Gênese:
“Devendo fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por uma inteligência e uma razão, geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de um certo (grifo nosso) grau de adiantamento anterior. Ela não será composta exclusivamente por espíritos eminentemente superiores, mas pelos que, já tendo progredido, estão predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração.”
Então, estamos dispostos?
Mas, como sempre tem um, mas, no caminho da vida vamos esquecendo, deixando de lado os sonhos, talvez pela desesperança e os dias passam mais devagar, mas a vontade de um dia termos um mundo mais justo, pulsa.
A dor chega, sabemos e como está no ESE cap. IX item 7 : “A dor é uma benção que Deus envia a seus eleitos.”
Será que realmente entendemos a função dessa dor que chega, na luta do dia a dia, quando da sobrevivência financeira, que se faz necessária e aos poucos essa luta vai ficando sem cor, insossa, pálida e vai se esvaindo, e a gente não lembra mais do que fomos, dos sonhos, dos ideais e achamos que porque sofremos então está bom, seria sinal que evoluímos?
Vamos nos acostumando com a rotina da casa espírita, do trabalho sem reflexão, da falta de estudo, do autoconhecimento. Se nos acomodarmos e nos conformarmos, nada se modificará, pois as mudanças partem de nós e não aparecem de forma mágica.
Queremos um mundo melhor, todos querem, até os maiores inimigos da humanidade fizeram a mesma afirmação, mas nem todos trabalham para isso. Vamos nos fechando nas nossas vidas, nossas preocupações, atolados pela repetição do cotidiano. "Todo dia ela faz tudo sempre igual" e sem perceber ficamos de boca aberta "esperando a morte chegar", como diz a canção popular. A máquina do sistema que vivemos nos retira o brilho, branqueia os cabelos ou os faz cair e simplesmente jogamos fora a criança, o jovem e tudo o mais que existe em nós. Elegemos a dor como bandeira e cada vez que ela nos assalta a escolha é pela conformação.
Em O livro dos Espíritos, a questão 258 temos que o espírito escolhe o gênero de provas que quer experimentar e é nisso que consiste o seu livre-arbítrio.
Estamos cientes da escolha dessas provas, mas não está dito que é preciso se conformar com as dores.
Afinal, “Deus dá a todos a liberdade da escolha, deixando-lhe toda a responsabilidade de seus atos e de suas consequências; nada entrava o seu futuro; o caminho do bem se lhe abre, assim como o do mal. Se ele sucumbe, porém, resta-lhe uma consolação: é que nem tudo acabou para ele e que Deus, em sua bondade, deixa-o livre para recomeçar o que foi mal feito.”
Kardec o grande parceiro dos espíritos, que já no auge da sua maturidade se inquietou, aceitou o novo, investigou e graças a sua tenacidade, eis que surge o Espiritismo, assim como uma grande estreia, que cria polêmica, conturbando corações, mas muito bem colocada para o momento em que surgiu. Quem quiser ler, refletir e entender as tais “Leis Naturais”, que constam em O Livro dos Espíritos (e olha que há muitos que se dizem espíritas, mas não as entende, nem como funcionam) verá o quanto Allan Kardec se debruçou na pesquisa para nos fazer refletir.
Em a lei do Progresso, uma das leis naturais, através da pergunta 799 de O livro dos Espíritos Kardec anotou: De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso?
“Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz com que os homens compreendam onde se encontra o seu verdadeiro interesse. Não estando mais a vida futura velada pela dúvida, o homem compreende melhor que poderá assegurar o seu futuro através do presente. Destruindo os preconceitos de seitas, de castas e de cores, ele ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos.”
Aquele senhor lionês, um professor reconhecido por seu trabalho, lutou contra os preconceitos, o ceticismo, a intolerância, e nunca parou de investigar, escrever, tornar público, se colocar a exame. Esse é o exemplo que ele nos deixou.
Vivemos em uma sociedade excludente, que pensar no coletivo pode nos levar a situações de violência, mas há que se continuar a luta, a pesquisa, a agir, pois o mundo espiritual nos direciona a sermos melhores aqui.
E as inquietações, passam?
Ser inquieto é próprio de quem deseja ser melhor, logo...
A luta sempre continua. Encarnados e unidos, jamais seremos vencidos !!!



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