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Em pauta: uma mulher especial

  • há 4 dias
  • 6 min de leitura

por Magdala Monteiro

Mês de maio, escrevo para homenagear uma mulher histórica e especial, Joana D’ Arc, padroeira das terras francesas, a quem esse mês é consagrado.

Identificada em obras espíritas de Léon Denis, por Sorella, apresentando-se como um de seus espíritos guias.

     “Nascida como humilde camponesa, sem qualquer tipo de instrução, mas portadora de extraordinários dons mediúnicos, Joana obtinha com frequência as visões do Além e a audição de vozes, as quais a guiaram e sustentaram na grande missão que desempenhou, libertando sua pátria do domínio inglês, além de pacificá-la e uni-la.”

     “Os fatos mediúnicos que cercaram Joana – e que o Espiritismo explica –, como suas visões, premonições, audição de vozes, são analisados como fenômenos mediúnicos que a ignorância e a mentira tentaram desvirtuar.”

Uma menina-mulher que nos autos de seus 17 anos vai liderar um exército, e que de forma estratégica, firme, determinada, faz cumprir suas ações diante de líderes militares, reis, sem se curvar a nada e a ninguém, simplesmente seguindo as ordens de suas vozes, seus guias, servindo ao “seu Senhor”, como a enviada de Deus, assim dizia. Mesmo sentindo medo, ela enfrenta as batalhas de uma guerra que se arrastava por anos, devastando a sua França querida. Segue os planos delineados com apoio espiritual, usando de suas estratégias militares, sem titubear para salvar o rei, e defender a pátria.

Curiosamente, em 2024 tive acesso a um livro, publicado pela socióloga e escritora baiana, Isabelle Anchieta, chamado ‘Revolucionárias’, onde a vida, comportamento e toda a história que se tem registrada de Joana é muito bem pesquisada e analisada pela professora. Trata-se de uma obra sobre revolta, liberdade social e a luta apaixonada de ser o que se é, bem o retrato de Joana, que é citada por seus feitos e vida. Nessa obra, a estudiosa examina-a como uma personagem complexa, audaciosa e astuta, e traça o seu perfil como: o de uma mulher protagonista da modernidade, que em certa medida rearranja toda a sociedade com a sua mudança de posição no jogo social.

Segundo a socióloga, apesar de muito ter sido falado e diversos pensadores terem escrito sobre Joana, ora com ufanismo, ora com sarcasmo, e com muitas deformações de seu caráter, ela pesquisa a vida de Joana como uma fonte de atração.

Apesar do sólido, rico e diverso material colhido sobre Joana nos dias de hoje, como pesquisadora, a socióloga identifica que ela foi e ainda é a mulher mais bem documentada da Idade Média.

E por suas múltiplas facetas, ela é a razão do fascínio que provoca até hoje.

Diz a professora em sua obra, Revolucionárias:

“Pois o que é a mulher senão a síntese das mais intrigantes contradições humanas?”

Em Léon Denis, livre pensador espírita encontramos a dedicação a Joana, muitos dos seus pensamentos e estudos em artigos e preleções, e ainda uma obra: ‘Joana D’Arc médium’, onde temos a oportunidade de beber na fonte das ideias e dos ensinos advindos desse espírito valoroso, que encarnado quanto mulher, foi capaz de sacudir toda a poeira do egoísmo e da vaidade de uma época sombria e demonstrar uma fé inabalável na vida presente e para o além dela (verdadeiro ensino de fé humana e divina reunidos em uma pessoa).

No livro, O Apóstolo do Espiritismo, Gaston Luce, biógrafo de Léon Denis, registra no capítulo “A verdade sobre Joana D’arc” o empenho dele desde a juventude, pelo estudo e meditação sobre o mistério da vida e morte de Joana, a heroína nacional francesa. Alcançando a maturidade, Denis resolve depois de tantas conferências e teses acerca da vida e da mediunidade de Joana, escrever um livro que refletisse o produto de seus pensamentos e pesquisas e uma contribuição nova desse grande tema. Diz Gaston:

“ Ao afirmar que toda a epopeia de Joana se baseia nessa faculdade ainda mal definida, Léon Denis tentou uma obra certamente audaciosa, mas de forma alguma anticientífica. A novidade desse método era de ordem psicológica. Somente os conhecimentos psíquicos aprofundados possibilitam encontrar o "fio condutor que orientará os historiadores, no meio dos episódios daquela incomparável existência. Eis porque os escritores, que se basearam exclusivamente nos documentos dos arquivos, nada compreenderam dos prodígios de uma tal vida.”
“E é verdade que uns fizeram de Joana um santa, visionária, foi canonizada pela igreja e os anticlericais fizeram dela uma histérica. Em quem acreditar? Como preencher essa lacuna?”
“A maior parte dos fenômenos dos passados afirmados em nome da fé, negados em nome da razão, podem, agora, receber umas explicações lógicas, científicas. Os fatos extraordinários que marcam a existência da Virgem de Orléans são dessa ordem. Somente seu estudo, tornado mais fácil pelo conhecimento de fenômenos idênticos, observados, classificados e registrados, em nossos dias, pode nos explicar a natureza e a intervenção de forças que atuavam nela, em seu derredor e que orientaram sua vida para um nobre fim.” Tal é a tese que o escritor espírita vai sustentar.
De qual natureza são essas forças? Eis o primeiro ponto a estabelecer.

O Espiritismo demonstrou, disse Denis:

“Que laços poderosos unem a Humanidade terrena ao mundo invisível, que uma ação recíproca exerce nos dois sentidos, por seus efeitos, uma estreita solidariedade. É por uma incessante ação dos Espíritos sobre a Humanidade, combinada com os efeitos da lei superior de justiça, que se explicam o fato da História. O aparecimento, no meio das tempestades sociais, de seres especialmente dotados, de missionários encarnados para um objetivo previamente traçado, dá, igualmente a chave de fatos prodigiosos, incríveis, se, para julgá-los, nos limitamos em ver neles o lado puramente terrestre."

Certa vez, um eminente professor universitário em 1912 publicou acerca a obra de Denis sobre Joana. Em um magistral artigo de alta crítica, publicado no "Lien", órgão dos "crentes livres", ele apreciava a obra com uma serena imparcialidade.

"Os Orléans de 1429 - escrevia ele - viram em Joana uma santa enviada por Deus, um anjo salvador; os ingleses quiseram que ela fosse uma bruxa. Apesar de toda a nossa vaidade moderna, ficamos limitados a essas duas opiniões primitivas, um pouco modificados. Fazer da boa Lorena, robusta e valente, de juízo perfeitamente sadio, uma histérica é fora do mais elementar bom-senso. A explicação do escritor espírita é ainda a melhor que pode explicar "suas vozes".

E quanto ao processo sofrido por Joana, o crítico afirmou que:

“O julgamento iníquo do tribunal eclesiástico pesa igualmente sobre a Igreja, a coroa da Inglaterra e a coroa da França. Foi um belo processo da Inquisição, igual a tantos outros. E o mais odioso do processo não foi a fogueira e sim a abjuração arrancada de Joana pelo terror e mais tarde falsificada. O mais sublime da história da "Donzela" foi a retratação, foi a retomada de consciência, após um instante de fraqueza, foi a coragem com a qual ela exclama diante da fogueira: "A voz me disse que era uma traição abjurar. A verdade foi que Deus me enviou. O que eu fiz, está bem-feito. Aí está porque Joana nos deve ser tão cara: é que ela não admitia nenhum intermediário entre ela e Deus; certa de tê-lo consigo, enfrentou o mundo inteiro unido para a sua condenação."

E o que a crítica não consegue narrar é o cuidado carinhoso que Denis tem em retratar física e moralmente essa heroína, nos lembra Gaston Luce, seu biógrafo; consultando tudo, não devendo nada a um historiador, percorrendo inclusive todo o ambiente por onde ela caminhou.

Denis, filho da amada região da Lorena, se proporá a reviver etapa por etapa os passos dados por Joana, refazendo os caminhos, visitando a cabana onde nasceu, os móveis que utilizou, os lugares onde em êxtase ela ouvia suas vozes, a igreja que frequentava; ele desejou parar e meditar, orar, chorar em silêncio. Cada cantinho fazia a sua mente asserenar e o seu coração vibrar com aquelas lembranças, mantendo o espírito ligado às vozes misteriosas do Alto.

Como conta Gaston Luce: Nesses passeios vespertinos, com essa efusão de alma que Denis tem a sua primeira comunicação e a descreve:

"O ar tremia; tudo parecia iluminado em meu derredor; asas invisíveis vibravam no crepúsculo, uma melodia desconhecida descia dos espaços, embalando meus sentidos e fazendo jorrar minhas lágrimas."

Sorella se comunica e lhe diz:

“Tua alma se eleva e sente neste instante a proteção que Deus lança sobre ti. Comigo, que a tua coragem aumente, e, patriota sincera, ames e desejes ser útil a esta França tão querida, que, do Alto, como Protetora, como Mãe, contemplo sempre com felicidade.” “Não sentes em ti nascerem pensamentos de suave indulgência?”.
“Cristã piedosa e sincera na Terra, sinto no Espaço os mesmos arroubos, o mesmo desejo de oração, mas quero minha memória livre e desprendida de todo cálculo; não dou meu coração, em lembrança, senão aos que em mim não veem mais do que a humilde e devota filha de Deus, amando a todos os que vivem nessa terra de França, aos quais procuro inspirar sentimentos de amor, de retidão e de energia.”

Em um preito de gratidão elevo meus pensamentos a Sorella querida por intuir o valoroso pensador, cujas ideias nos apraz propagar e ainda porque nos encoraja seguir a passos resolutos.

Se você se interessou em conhecer mais sobre essa mulher de ontem que está  presente na mulher, que hoje se desenha em nosso ideal de ser, aquela que luta por um mundo melhor, e como escreve a socióloga acima citada, uma mulher que protagoniza, fazendo a sociedade mudar o seu pensar, fica aqui a sugestão de leitura da obra Joana D’arc médium e o livro Revolucionárias.

Inspire-se em sua trajetória, como se inspirou o nosso estimado cidadão de Tours, Léon Denis, que viveu envolvido por suas vibrações e orientações, cumprindo o  papel que lhe coube de dirimir dúvidas, instruir, divulgar o bem e consolar corações.

 

 

Bibliografia:

Denis, Léon - Joana D’Arc médium

Luce, Gaston – Léon Denis -O Apóstolo do Espiritismo, sua vida, sua obra

 
 
 

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